Proposta restringe imigração a partir de 9,5 milhões de moradores; texto ameaça acordo de livre circulação com a União Europeia
Os suíços vão decidir no domingo (14.jun.2026) se o país deve limitar a população residente permanente do país a menos de 10 milhões de pessoas até 2050. A iniciativa, apresentada pelo SVP (Partido Popular Suíço, direita), pode restringir a imigração e levar ao encerramento do acordo de livre circulação de pessoas com a UE (União Europeia).
A Suíça superou 9,1 milhões de habitantes em 2025, quase o dobro dos 4,7 milhões registrados em 1950. A proporção de estrangeiros subiu de 6% para mais de 25% nesse período, segundo dados do FSO (Escritório Federal de Estatística).
Em 2024, 82% dos estrangeiros residentes eram europeus. Italianos formavam o maior grupo, com 342.379 pessoas, seguidos por alemães, com 329.883, e portugueses, com 257.258. Moradores vindos da Ásia representavam 9%; da África, 5%; e das Américas, 4%.
O SVP chama a proposta de “iniciativa de sustentabilidade” e afirma que a imigração pressiona a oferta de moradias, os transportes, as escolas, os serviços de saúde e o meio ambiente.
Nils Fiechter, congressista regional do partido no cantão de Berna, disse à BBC que o país perdeu o controle sobre o crescimento populacional.
“A imigração sem controle está fazendo com que a Suíça deixe de ser a Suíça”, declarou.
Helin Genis, vereadora social-democrata de Berna e filha de imigrantes turcos, rejeitou a associação direta entre estrangeiros e os problemas enfrentados pela população.
“Não são os migrantes que determinam os aluguéis. Não são os migrantes que aumentam os prêmios dos seguros de saúde. Também não são os migrantes que tomam decisões políticas sobre habitação, infraestrutura ou investimento social”, disse à BBC.
A iniciativa estabelece duas etapas:
- A partir de 9,5 milhões: o governo deverá restringir entradas, inclusive pedidos de asilo e reunião familiar, além de renegociar tratados ligados à imigração;
- Ao atingir 10 milhões: a Suíça terá de encerrar acordos internacionais que contribuam para o crescimento populacional, entre eles o de livre circulação com a UE.
O Conselho Federal, partidos de esquerda e de centro, sindicatos e associações empresariais recomendaram a rejeição da medida. Eles afirmam que hotéis, hospitais, casas de repouso e indústrias dependem da mão de obra estrangeira.
Beat Jans, integrante do Conselho Federal, que exerce função executiva no país, comparou a votação à saída do Reino Unido da UE. “Em 14 de junho, viveremos o momento Brexit da Suíça. Uma vitória do ‘sim’ nos colocaria em isolamento”, disse ao jornal Tages-Anzeiger.
Pesquisas indicam disputa apertada. Levantamento do instituto gfs.bern mostra 52% contrários à proposta e 45% favoráveis, com parte do eleitorado ainda indecisa.
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