Saiba o que foi apreendido pela PF em operação que prendeu os MCs Ryan e Poze

A operação teve como alvos nomes conhecidos do público, incluindo os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa, responsável pela página Choquei

A Polícia Federal realizou, na última quarta-feira (15/4), a Operação Narco Fluxo, com o objetivo de desmontar um grupo suspeito de movimentar cifras bilionárias por meio de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado. A estimativa dos investigadores é que mais de R$ 1,6 bilhão tenham sido “lavados” pela organização.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes encontraram uma série de bens de alto valor que, segundo a PF, eram usados para disfarçar a origem ilegal dos recursos.

A ação teve como alvos nomes conhecidos do público, incluindo os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa, responsável pela página Choquei.

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Itens apreendidos pela Polícia Federal na Operação Narco FluxoFoto: Reprodução

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MC Ryan SP e MC Poze do RodoCrédito: Reprodução Instagram

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MC Ryan e Chrys DiasReprodução / Instagram

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MC Ryan SP é flagrado deixando o IMLFoto/Portal LeoDias

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Conta de MC Ryan e Chrys Dias exibem avisoReprodução / Instagram

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MC Ryan SP é flagrado deixando o IMLFoto/Portal LeoDias

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Raphael Sousa dono da ChoqueiReprodução / Instagram

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Raphael Sousa dono da ChoqueiReprodução / Instagram

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Dono da ChoqueiReprodução / Instagram

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MC Ryan SP em clipeReprodução: YouTube

Reprodução: Instagram/@imcryansp

MC Ryan SPReprodução: Instagram/@imcryansp


De acordo com o levantamento oficial divulgado pela corporação, foram apreendidos:

  • 55 veículos de luxo, entre carros e motos, avaliados em mais de R$ 20 milhões;
  • 120 armas de fogo, além de munições;
  • 56 peças de joias e relógios, incluindo itens da marca Rolex;
  • 53 aparelhos celulares;
  • 56 dispositivos eletrônicos, como notebooks, computadores e tablets;
  • R$ 300 mil em dinheiro;
  • US$ 7,3 mil em espécie (cerca de R$ 36 mil);
  • Diversos documentos e registros financeiros.

Entre os itens que mais chamaram atenção dos investigadores estão uma Mercedes-Benz G63 na cor rosa, avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões, e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren, ambos localizados na residência de Chrys Dias.

Já na casa de MC Ryan SP, os policiais encontraram um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar emoldurada pelo mapa de São Paulo.

Como surgiu a operação

A Narco Fluxo é resultado de investigações anteriores, como as operações Narco Vela e Narco Bet, conduzidas entre 2023 e 2024, que já apuravam o envio de drogas ao exterior e o uso de plataformas de apostas para ocultação de valores.

Ao todo, cerca de 200 agentes federais participaram da ação, que cumpriu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão.

As diligências ocorreram simultaneamente em oito estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás — além do Distrito Federal.

A 5ª Vara Federal de Santos determinou o bloqueio de bens e contas dos investigados, com o objetivo de impedir a dispersão do patrimônio.

Como funcionava o esquema

Segundo a PF, o grupo utilizava atividades ligadas à música e ao universo digital como fachada para “limpar” recursos ilícitos.

Os valores teriam origem no tráfico internacional de drogas — com mais de três toneladas de cocaína enviadas para fora do país —, além de lucros obtidos com apostas ilegais e rifas clandestinas na internet.

Para dar aparência legal ao dinheiro, os investigados recorriam a diferentes estratégias, como:

  • “Smurfing”: divisão de grandes quantias em diversas transações menores para evitar alertas do Coaf;
  • Uso de empresas de fachada e “laranjas”, incluindo produtoras musicais e estabelecimentos comerciais, para misturar receitas legais com dinheiro ilícito;
  • Conversão de valores em criptomoedas, dificultando o rastreamento;
  • Utilização de influenciadores com grande alcance para movimentar recursos sem levantar suspeitas imediatas.

Perfis derrubados nas redes sociais

Após as prisões, as contas oficiais de MC Ryan SP e de Chrys Dias no Instagram ficaram indisponíveis. Juntos, os dois somavam dezenas de milhões de seguidores, mais de 15 milhões no caso do cantor e cerca de 14 milhões do influenciador.

Quem tenta acessar os perfis atualmente encontra a mensagem informando que o conteúdo não está disponível. Procurada, a Meta não comentou o caso.

Posicionamento das defesas

A equipe jurídica de MC Ryan SP afirma que o artista não cometeu irregularidades e sustenta que todas as movimentações financeiras são legais e devidamente comprovadas.

Já o advogado de MC Poze do Rodo informou que ainda não teve acesso completo ao processo, mas que pretende atuar judicialmente para reverter a prisão do cantor.

A defesa de Raphael Sousa argumenta que sua relação com os investigados se limita à área publicitária, restrita à venda de espaços para divulgação digital.

Até o fechamento desta matéria, a defesa de Chrys Dias não havia se manifestado.

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