Piovani diz que fez “publi” e é contra “privatizar Banco Central”

Atriz afirma que agiu dentro da lei ao identificar postagem com a hashtag “#publi”; sindicato pagou R$ 300 mil

A atriz Luana Piovani disse na 5ª feira (25.jun.2026) que fez publicidade contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que visa a maior autonomia do Banco Central e afirmou que é contra “privatizar o Banco Central”. A postagem no Instagram se dá depois de viralizar a informação de que ela havia feito a publicidade no valor de R$ 300 mil. 

O Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central), que representa os servidores da instituição, defendeu a publicidade por dar “visibilidade” para a questão.

Sobre o assunto, Piovani disse: “Tem outra coisa, talvez vocês não saibam, aí eu vou contar. Eu só vendo o que eu consumo e eu só falo o que eu concordo. Eu não acho inteligente privatizarem o nosso Banco Central”.

Assista ao vídeo (2min10s):

Piovani recebeu um pagamento de R$ 300 mil pelo serviço, autorizado pela direção do conselho regional do Sinal no Distrito Federal. No vídeo, postado em sua conta no Instagram, ela criticou a proposta, que tramita no Senado, e defendeu os interesses da categoria.

Piovani disse que agiu dentro da lei porque a publicação estava identificada com a hashtag “#publi”.

“Quando vocês olham uma publicação e tem lá no final uma ‘hashtagzinha’, aquele ‘simbolinho’ do jogo da velha, sabe? Escrito ‘publi’ é a abreviatura de publicidade, de publicidade, tá? É lei, o que eu acho super importante. É super importante que todas as publicidades sejam óbvias, que estão sendo publicidades, isso é super importante para o consumidor saber. É isso, para vocês não ficarem assim tão ‘invejosinhos’, tá?”, afirmou a atriz.

Ao Poder360, a assessoria do Sinal afirmou se tratar de “uma pauta que precisa ter interlocutores capazes de tornar seu entendimento, que é bastante complexo, algo acessível a toda população”.

Segundo o sindicato, a atriz foi contratada de forma legal. A organização disse que “possui legitimidade para promover estudos, celebrar contratos, desenvolver ações institucionais e adotar as medidas necessárias à defesa dos interesses da categoria, observadas as deliberações dos órgãos competentes e sempre de forma transparente”

PEC DA AUTONOMIA DO BC

O texto é relatado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM). Passou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e aguarda votação em plenário.

Na prática, a proposta:

  • tira o BC da dependência direta do Orçamento Geral da União e permite que use receitas próprias para bancar despesas administrativas e operacionais;
  • permite que o BC passe a ter mais controle sobre carreiras, salários e aposentadorias de seus servidores;
  • colocar o Pix na Constituição, garantindo a gratuidade para pessoas físicas e proibindo sua privatização ou transferência para outro órgão.

O Sinal é contra a PEC por entender que transformar o BC em empresa pública pode reduzir o controle da sociedade sobre o órgão e aumentar a influência de bancos privados e empresas estrangeiras, prejudicando a fiscalização. Também alerta que o fim da estabilidade dos servidores pode afetar a independência dos funcionários para fiscalizar o sistema financeiro.

Leia a íntegra da nota do Sinal:

“PEC 65 e a atuação do Sindicato

“Esclarecemos que a posição do SINAL-DF em relação à PEC 65/2023 está embasada no mandato concedido pela maioria dos servidores aos quais representa.

“Na condição de Seção Regional dotada de personalidade jurídica própria, CNPJ e autonomia administrativa, financeira e patrimonial, o SINAL-DF possui legitimidade para promover estudos, celebrar contratos, desenvolver ações institucionais e adotar as medidas necessárias à defesa dos interesses da categoria, observadas as deliberações dos órgãos competentes e sempre de forma transparente.

“O SINAL-DF reafirma, por fim, seu compromisso em dar visibilidade a uma pauta que precisa ter interlocutores capazes de tornar seu entendimento, que é bastante complexo, algo acessível a toda população, uma vez que as suas consequências impactarão toda sociedade, podendo ser desastrosas para o país.”


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