Diretor-geral da AIEA diz que acordo após a guerra exigirá sistema robusto de verificação do programa nuclear.
O diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Rafael Grossi, afirmou nesta 6ª feira (26.jun.2026) que um eventual acordo entre Irã e Estados Unidos para encerrar o conflito deverá incluir um regime reforçado de inspeções sobre o programa nuclear iraniano. Segundo ele, será necessário adotar um sistema de fiscalização “altamente sofisticado” para assegurar que o país não desenvolva armas atômicas. A declaração foi dada durante entrevista coletiva no Japão.
A fala se dá durante negociações entre Washington e Teerã para um acordo de paz definitivo,, que inclui o futuro do programa nuclear iraniano. Desde o entendimento preliminar entre os dois países, persistem divergências entre Estados Unidos, Irã e a própria AIEA sobre o formato das inspeções.
Grossi afirmou que, embora o governo iraniano sustente que não pretende produzir armas nucleares, apenas declarações políticas não serão suficientes. Segundo ele, um sistema rigoroso de verificação precisará ser implementado rapidamente para garantir transparência.
O chefe da agência disse ainda que as conversas com o Irã estão em estágio inicial, sobretudo em relação ao destino das reservas de urânio enriquecido. Antes dos ataques realizados por Israel e Estados Unidos, em junho de 2025, a AIEA estimava que o país possuía cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para uso militar.
Após os bombardeios, porém, a situação desse material permanece incerta, já que o Irã não autoriza inspeções nos locais atingidos.
Entre as alternativas discutidas nas negociações estão a redução do grau de enriquecimento do urânio ou a retirada do estoque do país. Grossi afirmou que há diferentes soluções técnicas para tratar o material.
O governo iraniano nega buscar armas nucleares e sustenta que seu programa tem finalidade exclusivamente civil.



