PGR investiga governador de SC por ofensas a indígenas

Jorginho Mello (PL) proferiu ofensas a indígenas do povo Xokleng durante uma entrevista a jornalistas na Barragem Norte

O CNDH (Conselho Nacional de Direitos Humanos) acionou a PGR (Procuradoria Geral da República) na 2ª feira (13.jul.2026) para investigar o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). Ele foi gravado dia 8 de julho ofendendo indígenas Xokleng durante uma visita à Barragem Norte, em José Boiteux, que está em obras. As informações são da Folha de S.Paulo.

No momento das ofensas, o governador conmcedia entrevista a jornalistas de TV e afirmou que estava “restaurando tudo o que foi destruído pelos indígenas”. Em seguida, ele para a entrevista e se volta para indígenas que estavam no local, dizendo para irem “para a puta que o pariu”.

Depois de encerrar a entrevista, a gravação continua e mostra Mello respondendo a uma mulher. Ao ser questionado sobre sua afirmação de que estava tudo “sob controle”, ele responde perguntando se “a senhora não quer ir à merda?“. Quando a mulher afirma que é uma cacique e que merece respeito, Mello volta a responder: “E eu com isso?”.

O CNDH, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, afirma na representação à PGR que “o episódio atingiu diretamente uma liderança tradicional e, em sua dimensão pública, alcançou a dignidade e a honra coletiva do povo Xokleng”.

A barragem visitada por Mello está localizada na Terra Indígena Laklãnõ Xokleng, o que já gerou conflitos entre o povo indígena e o governo de Santa Catarina.

Mello, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e apoiador do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), tentará a reeleição ao governo de Santa Catarina em 2026.

Procurada, a assessoria de Jorginho Mello divulgou uma nota sobre a visita do governador à barragem, mas não mencionou as ofensas nem o acionamento da PGR.

Leia a íntegra da nota: 

“Nesta 4ª feira, 8 de julho, o governador Jorginho Mello acompanhou de perto a reforma da Barragem de José Boiteux, uma obra aguardada há mais de 20 anos e considerada estratégica para a segurança de milhares de moradores do Vale do Itajaí.

“Durante a visita, um grupo de indígenas se aproximou do local em protesto, com cartazes e reivindicações diversas, incluindo pautas de responsabilidade federal e temas que não estão diretamente ligados ao governo do Estado.

“A atual gestão destaca que foi a 1ª, depois de 3 décadas, a assumir efetivamente a manutenção da barragem e a avançar no cumprimento de um acordo firmado há cerca de 20 anos entre governo federal, governo estadual e comunidades indígenas. Pelo acordo judicial, estavam previstas 20 casas. No entanto, a gestão estadual decidiu ampliar essas melhorias previstas.

“Fazem parte das obras acordadas a construção de 91 casas, duas igrejas e duas casas pastorais: R$ 14,6 milhões; implantação e macadamização da estrada que liga a Aldeia Bugio ao município de José Boiteux, com extensão de 7,5 quilômetros e construção de uma ponte: R$ 7 milhões; construção da escola da comunidade indígena: R$ 6,5 milhões; construção de museu, campo de futebol e sanitários: R$ 5,5 milhões; projeto da escola e do museu: R$ 217 mil. Ao todo, o Estado está aplicando cerca de R$ 34 milhões em melhorias estruturais na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ, onde está localizada a Barragem Norte, de José Boiteux, garantindo compensações esperadas desde a década de 90 e que deveriam ter sido executadas pelo governo federal, por meio da Funai, mas foram negligenciadas desde então.

Mesmo diante das manifestações, o governo afirma que vai manter o cronograma da reforma da barragem e das casas, por entender que as obras são essenciais para proteger vidas e reduzir os riscos das enchentes no Vale do Itajaí”.


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