Santiago Peña adotou tom duro ao se dirigir a integrantes do bloco, reivindicando mais espaço para comércio com o bloco europeu
Durante a reunião de líderes da 68ª cúpula de presidentes do Mercosul em Assunção, nesta 3ª feira (30.jun.2026), o presidente paraguaio, Santiago Peña (Partido Colorado, direita), criticou a distribuição das cotas de exportação incluídas no acordo de livre comércio firmado com a União Europeia.
Peña, que foi o 1º a discursar na sessão, cobrou o equilíbrio interno no bloco. A reunião marca o encerramento da presidência pro tempore do Paraguai no Mercosul –função que será assumida oficialmente pelo Uruguai a partir da 4ª feira (1º.jul), conforme a rotatividade estabelecida por ordem alfabética.
“O Paraguai ficou com um gosto amargo em relação à implementação desse acordo. Por vezes, tive a sensação de que o Paraguai aderiu para que todos os países se beneficiassem, mas, logo após a assinatura, começamos a perceber que a unidade não era tão sólida quanto parecia”, afirmou Peña
O acordo com a União Europeia foi assinado em janeiro de 2026, em Assunção, e está vigente desde maio, mas sua ratificação pelo bloco europeu ainda está pendente. As cotas de importação com benefícios tarifários são definidas pela UE, e cabe ao Mercosul decidir como distribuí-las entre seus integrantes –divisão que o Paraguai considera injusta.
“Pergunto-me: o que aconteceu com a justiça na distribuição das cotas? Ela se fundamenta na nossa união, na verdadeira igualdade? Na verdadeira justiça? Para o Paraguai, esse acordo tem um peso diferente”, disse o presidente do Paraguai.
O presidente paraguaio ainda mencionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao reivindicar equilíbrio nas cotas de comércio dentro do acordo com a União Europeia. Para ele, o país está em uma posição de desvantagem por não ter saída para o mar, o que encarece o transporte de mercadorias aos portos.
“Essa justiça pela qual tanto lutou e fez o presidente Lula no Brasil, que eu reconheço, e perdoe que mencione, mas é o exemplo de que a justiça deve fazer com que os menores não sejam esmagados pelos maiores –que o forte e o fraco sejam colocados em igualdade de condições. Sem justiça não pode haver integração”, declarou Peña.
Mais cedo, Peña (Partido Colorado, direita), havia afirmado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi importante para a conclusão do acordo comercial Mercosul-União Europeia.
CÚPULA DO MERCOSUL
A 68ª Cúpula do Mercosul conta com a presença de todos os chefes de Estado do bloco, com exceção do presidente da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita). Eis os chefes de Estado presentes:
- presidente Luiz Inácio Lula da Silva;
- Santiago Peña, presidente do Paraguai;
- Yamandú Orsi (Frente Ampla, esquerda), presidente do Uruguai;
- Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão, centro-direita), presidente da Bolívia;
- José Antonio Kast (Partido Republicano, direita), presidente do Chile (convidado);
- Daniel Noboa (Ação Democrática Nacional, direita), presidente do Equador (convidado);
As principais questões tratadas na cúpula envolvem questões internas do bloco econômico, como ações voltadas para a segurança pública e uma maior integração regional. Entre eles, estão a assinatura do acordo que possibilita o uso da CIN (Carteira de Identidade Nacional) como documento de viagem pelos países integrantes e associados ao Mercosul. Também haverá a assinatura de um protocolo de reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica –em sistemas como o Gov.br.
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