Arquidiocese diz que atos do sacerdote são ilícitos e que confissões e casamentos celebrados por ele são inválidos
O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa afirmou na 5ª feira (16.jul.2026) que não reconhece a excomunhão imposta pela Igreja Católica e que manterá as missas, confissões e celebrações de casamentos na Capela Santo Atanásio, em Brasília.
O sacerdote divulgou uma carta aberta de 10 páginas e publicou um pronunciamento em vídeo depois de a Arquidiocese de Brasília declarar que ele está em situação de cisma e excomunhão por aderir à FSSPX (Fraternidade Sacerdotal São Pio X). Eis a íntegra (PDF – 199 kB).
“Não estou excomungado, não sou cismático, nada faço em nome da desobediência”, declarou. Segundo ele, os fiéis ligados à capela também não estão sujeitos às punições.
A controvérsia começou depois de a FSSPX realizar, em 1º de julho, a sagração de 4 bispos em Écône, na Suíça, sem autorização do papa Leão 14. O Vaticano classificou a cerimônia como um ato cismático –uma ação que rompe, ou representa uma ruptura, com a autoridade e a unidade da Igreja Católica.
Costa afirmou que esteve presente nas sagrações e as definiu como uma “operação de sobrevivência da tradição”. O padre se considera vinculado à fraternidade desde 5 de abril de 2025, e disse que continuará leal ao grupo tradicionalista.
A Arquidiocese de Brasília declarou, no dia 10 de julho, que os atos ministeriais do sacerdote são ilícitos. Segundo a nota assinada pelo cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, as absolvições concedidas em confissões e os matrimônios celebrados pelo padre são “nulos e inválidos”. A orientação é que os fiéis evitem as atividades promovidas pela capela. Eis a íntegra (PDF – 2,45 MB).
O sacerdote contesta essa interpretação. Afirma que os cânones 1323 e 1324 do Código de Direito Canônico afastariam a punição em situações de grave necessidade ou quando a pessoa atua de boa-fé.
No pronunciamento, Costa afirmou que, embora reconheça Leão 14 como papa, não pratica o que chamou de “papolatria”, termo usado para criticar a submissão que considera excessiva à autoridade pontifícia. Segundo ele, o papa também está sujeito à palavra de Deus e não pode apresentar doutrinas contrárias à tradição católica.
Também declarou que a Igreja supriria a falta de jurisdição para a realização dos sacramentos. “Toda a vida sacramental e de pregação da palavra de Deus seguirá acontecendo de maneira totalmente normal”, disse.
CRÍTICAS À IGREJA
Na carta, Costa fez críticas ao Concílio Vaticano 2, ao alto clero e às mudanças adotadas pela Igreja nas últimas décadas. Classificou o modelo atual da instituição como uma “farsa” e um “parasita” instalado nas estruturas da Igreja Católica.
O padre afirmou que os católicos tradicionais incomodam uma “agenda progressista” e disse que não aceita o ecumenismo, a liberdade religiosa, a reforma da missa e a organização sinodal da Igreja.
Costa também relatou conflitos anteriores com a Arquidiocese de Brasília. Disse ter sido advertido depois de denunciar cerimônias que classificou como “ritos de macumba” em igrejas católicas e afirmou que recebeu uma ligação para retirar um vídeo sobre um dos episódios.
O sacerdote citou ainda casos públicos de abusos sexuais e desvios envolvendo outros religiosos. Usou os episódios para argumentar que foi afastado por suas posições doutrinárias, e não por condutas morais ou financeiras.
“Eles nos expulsam por sermos católicos”, declarou.
A Capela Santo Atanásio tem capacidade para cerca de 200 pessoas. Costa disse que pretende ampliar o espaço, construir um templo para até 1.000 fiéis e abrir uma escola de orientação católica tradicionalista.



