Autoridades espanholas afirmaram que “praticamente todos” os cerca de 50.000 invasores deixaram o enclave
O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, disse neste sábado (1º.ago.2026), que ao menos 67 pessoas morreram na invasão de marroquinos ao enclave espanhol de Ceuta. Segundo ele, o governo está instalando barreiras de contenção aquáticas. A Guarda Civil da Espanha e o Resgate Marítimo disseram que necrópsias serão conduzidas para determinar a causa da morte.
Cerca de 50.000 pessoas cruzaram ilegalmente a fronteira do território espanhol Ceuta a partir do Marrocos.
As mortes confirmadas até o momento foram causadas por afogamento ou pisoteamento no momento em que as pessoas tentavam escalar o quebra-mar que sustenta a cerca da fronteira.
Na 6ª feira (31.jul.2026), o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, publicou em seu perfil no X que praticamente todos os invasores já deixaram Ceuta.
Entenda o caso
Ceuta representa, para milhares de marroquinos, algo que vai além de um enclave espanhol no norte da África: é uma porta de entrada para a Espanha e, consequentemente, para a União Europeia. Esse raciocínio está no centro da crise migratória que eclodiu na última semana, quando milhares de pessoas nadaram até o território espanhol.
- Ceuta – é uma cidade autônoma espanhola de 18,5 km² e 83.000 habitantes;
- travessia a nado – o principal ponto é pelo quebra-mar da praia de Tarajal; existem alguns trajetos que podem ser feitos, que vão de 200 metros até 5 km (quando se parte de praias marroquinas mais distantes para tentar evitar patrulhas marítimas);
- imigrantes em Ceuta – o governo espanhol diz que cerca de 50.000 pessoas entraram no enclave nos últimos dias; 48.000 já retornaram;
- estopim – a travessia foi motivada por uma decisão do Supremo da Espanha, que limitou deportações de imigrantes que chegam pelo mar.

Na prática, a chegada a Ceuta não garante ao imigrante o direito de circular pela União Europeia. A cidade autônoma não faz parte do espaço Schengen –conjunto de países europeus que aboliram os controles nas suas fronteiras internas para permitir a livre circulação de pessoas.
Em 8 de julho, o Supremo espanhol determinou que os imigrantes que chegam por mar não podem ser deportados sumariamente, como se dá com aqueles que atravessam a fronteira por terra ou por via aérea. Ou seja, eles conseguem ficar no enclave tempo suficiente para entrar com um pedido de asilo e regularização.
Em nota (íntegra, em espanhol – PDF – 39 kB), a Corte explicou a decisão dizendo que “alguém que entra a nado não cruza uma barreira de fronteira”.
É por isso que os milhares de imigrantes que deixaram o Marrocos na última semana entraram em Ceuta a nado.





