Cabeleireira condenada por atos do 8 de Janeiro cumpre prisão domiciliar; irmã nega descumprimento de medidas judiciais
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta 4ª feira (29.abr.2026) que a defesa da cabeleireira Débora Rodrigues, conhecida como Débora do Batom, preste esclarecimentos sobre um possível descumprimento de medidas cautelares. O magistrado estabeleceu um prazo de 48 horas para que os advogados justifiquem as falhas registradas no monitoramento eletrônico da condenada.
Débora cumpre pena em regime de prisão domiciliar depois de ser condenada a 14 anos de reclusão pelo seu envolvimento nos atos extremistas de 8 de Janeiro de 2023. Ela ficou nacionalmente conhecida por ter escrito a frase “Perdeu, mané” com um batom na estátua “A Justiça”, localizada em frente à sede do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Segundo as informações do sistema de monitoramento repassadas à família, a tornozeleira eletrônica de Débora teria registrado períodos de desligamento entre os dias 20 e 26 de abril. A falta de emissão de sinal contínuo acendeu o alerta do STF e motivou a notificação oficial expedida pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes.
DEFESA NEGA VIOLAÇÃO
Nesta 5ª feira (30.abr), a irmã da cabeleireira, Cláudia Rodrigues, concedeu uma entrevista ao programa “Pleno Time”, do portal Pleno.News, para negar qualquer tipo de irregularidade no cumprimento das restrições judiciais. Ela assegurou que a defesa técnica conseguirá comprovar documentalmente a regularidade da situação e justificar as falhas de sinal apontadas pelo sistema das autoridades penitenciárias.
“Quero deixar bem claro que não houve descumprimento dessas medidas cautelares. Nós estamos muito tranquilos, porque a Débora tem seguido à risca todas as medidas impostas”, declarou Cláudia ao veículo de comunicação. A irmã relatou ainda que a cabeleireira vive com receio constante de cometer qualquer erro involuntário que possa ser interpretado como violação das regras estabelecidas pela Justiça.
ROTINA E SAÚDE
Para ilustrar o nível de cautela adotado pela família, Cláudia citou um episódio recente em que Débora precisou de atendimento médico emergencial devido a uma infecção urinária grave. De acordo com a irmã, todos os passos da ida ao hospital foram previamente informados e documentados junto ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes e à Polícia Penal.
Sobre a rotina atual da cabeleireira, a família destacou as dificuldades psicológicas e práticas enfrentadas no dia a dia. Embora reconheça que a conversão da pena para o regime domiciliar seja uma condição significativamente menos severa em comparação ao regime fechado na penitenciária, Cláudia ressaltou o peso da privação contínua de liberdade. “Ela traz um conforto, mas em momento algum deixa você esquecer que é uma prisão”, disse.
A condenação de Débora do Batom faz parte das centenas de processos julgados pelo Supremo Tribunal Federal em resposta à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. As medidas cautelares aplicadas nesses casos costumam incluir, além do uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, a proibição de uso de redes sociais, o cancelamento de passaportes e a restrição de comunicação com outros investigados. A violação comprovada de qualquer uma dessas regras pode resultar na regressão imediata do condenado para o regime fechado.



