Senador tem apoio de 18%; pesquisa mostra fragilidade da direita ligada ao ex-presidente antes das eleições
Pesquisa Quaest divulgada nesta 4ª feira (15.jul.2026) mostra que 42% dos entrevistados concordam mais com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no desentendimento com o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Outros 18% ficam ao lado do pré-candidato. O atrito veio a público depois de Michelle divulgar vídeos em que afirmou ter sido maltratada, desrespeitada e humilhada por Flávio. Leia a íntegra (PDF – 15 MB)
A disputa interna expõe uma fragilidade na direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) às vésperas das eleições. Flávio é pré-candidato à Presidência da República pelo PL, e Michelle foi cogitada para o mesmo posto antes de ele ser escolhido como nome do partido.
O levantamento, encomendado pelo Banco Genial e registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07181/2026, ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais de 10 a 13 de julho. A margem de erro é de 2 p.p, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Sobre o posicionamento dos entrevistados no desentendimento, os números são:
- Michelle Bolsonaro: 42%
- Flávio Bolsonaro: 18%
- Com os 2 em parte: 3%
- Não concorda com nenhum dos 2: 22%
- Não sabe ou não respondeu: 15%
Questionados sobre o conhecimento prévio dos vídeos, 49% dos entrevistados disseram que já os conheciam antes da pesquisa. Os demais 51% souberam do episódio durante a entrevista.
Sobre a decisão de tornar público o desentendimento, 45% avaliaram que Michelle acertou. Para 38%, ela errou ao expor o caso. Outros 17% não souberam ou não quiseram responder.
Apoio e motivações
A pesquisa também perguntou se a participação direta de Michelle na campanha de Flávio aumentaria as chances de vitória do senador. Para 47%, o apoio não teria esse efeito. Outros 38% acreditam que sim. Os demais 15% não souberam ou não quiseram responder.
A respeito das motivações de Michelle para publicar os vídeos, 34% dos entrevistados acreditam que ela desejava se candidatar à Presidência no lugar de Flávio. Para 25%, a motivação teria sido a oposição a alianças políticas com as quais ela não concorda. Outros 16% afirmaram que ela buscava responder aos ataques e desrespeitos que teria sofrido. Um total de 4% apontou todos os motivos citados, e 2% indicou outra motivação. Os demais 19% não souberam ou não quiseram responder.
O atrito começou em 24 de junho, quando Michelle publicou vídeos em seu perfil no Instagram em que afirmou ter sido maltratada, desrespeitada e humilhada por Flávio durante uma conversa por telefone. A discussão envolveu divergências sobre alianças eleitorais do PL no Ceará. Michelle disse que os 2 não se falavam desde o fim de 2025 e que entendeu, após a conversa, que Flávio não queria seu apoio à pré-candidatura ou considerava esse apoio insignificante.
Depois da publicação dos vídeos, Flávio pediu desculpas e afirmou que não teve a intenção de ofendê-la. No dia seguinte, Michelle negou que houvesse “briga” ou “competição” entre os 2 e disse que trabalhariam juntos nas eleições.
Em 30 de junho, Michelle deixou a presidência do PL Mulher. Ela informou que a decisão foi tomada para se dedicar aos cuidados com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e com a filha. Michelle também é pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, mas ainda não confirmou se concorrerá ao cargo.
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