Após reduzir diesel e querosene de aviação, presidente da Petrobras evita antecipar reajuste do combustível
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta 3ª feira (1º.jul.2026) que ainda considera “prematura” uma discussão sobre eventual redução no preço da gasolina, apesar do recuo recente das cotações internacionais do petróleo e dos ajustes anunciados em outros combustíveis. A declaração foi dada a jornalistas durante a cerimônia de lançamento da Seleção Petrobras Cultural, no Rio de Janeiro.
Questionada sobre a possibilidade de redução no preço da gasolina depois da queda do diesel e do QAV (Querosene de aviação), Magda evitou antecipar qualquer medida. “Nós ainda estamos olhando. Como eu disse, nós olhamos isso o tempo todo. E vamos acompanhar a tendência, os preços internacionais com certeza. Mas a essa pergunta eu não vou responder porque ela é prematura”, declarou.
A executiva afirmou que a Petrobras mantém acompanhamento constante do mercado internacional, mas ressaltou que a empresa não pretende transferir automaticamente as oscilações externas para os consumidores brasileiros.
“Todos os nossos combustíveis acompanham a tendência dos preços internacionais sem internacionalizar a volatilidade, sem internacionalizar a incerteza”, afirmou.
Sobre a redução anunciada para o QAV, que teve queda média de 14,46% no valor de comercialização entre as refinarias da Petrobras, equivalente a R$ 0,81 por litro em relação ao mês anterior e a quarta redução anunciada neste ano, Magda explicou que o combustível possui uma dinâmica diferente da gasolina. Segundo ela, as variações acompanham os movimentos internacionais do mercado.
“O querosene de aviação é um pouco diferente. Ele é um contrato de longo prazo”, afirmou.
A presidente lembrou ainda que, durante o período de alta dos preços, a Petrobras adotou medidas para amenizar os impactos aos consumidores. “Lembram que há pouco tempo a gente teve uma alta grande no querosene de aviação, que nós até parcelamos o impacto? Agora ele está na descendente, ele acompanha o panorama internacional”, disse.
A declaração da presidente foi realizada depois do anúncio da redução de R$ 0,35 por litro no diesel vendido às distribuidoras, medida que compensou a retirada do subsídio temporário concedido pelo governo federal durante a alta dos preços causada pela guerra no Oriente Médio. A diminuição é devido à queda das cotações internacionais do petróleo Brent, que passou a operar próximo da faixa entre US$ 72 e US$ 75 por barril.
Ao comentar os efeitos da variação dos preços internacionais sobre a companhia, Magda destacou que a Petrobras opera em um mercado global de commodities. “Quando o preço sobe, ele afeta a Petrobras. Quando o preço desce, ele afeta a Petrobras. Quando o preço fica a mesma coisa, ele também afeta a Petrobras”, afirmou.
EFEITOS DE 2018
Durante a entrevista, Magda também citou a política de reajustes frequentes adotada pela Petrobras em anos anteriores para justificar a estratégia atual da empresa. Segundo a presidente, mudanças constantes nos preços tiveram efeitos negativos para a estatal.
“Quando nós fizemos isso no passado, mais ou menos em 2018, aquela aflição por aumentar o preço da gasolina todos os dias ou abaixar o preço da gasolina todos os dias trouxe para a gente um efeito mais do que indesejável. Ele fez a Petrobras perder market share”, declarou.
Segundo a executiva, a companhia busca atualmente maior previsibilidade na política de preços. “O que nós estamos fazendo agora é olhar tudo isso com muita calma, com muito profissionalismo, porque a gente quer atender a sociedade, a gente quer fornecer produtos que caibam no bolso da sociedade brasileira, mas a gente quer garantir o mercado Petrobras”, completou.
Magda também comentou os impactos das mudanças do mercado internacional nos investimentos da companhia e afirmou que a estatal manterá critérios de rentabilidade em seus projetos.
“Nós não vamos fazer nenhum projeto antieconômico. Todos os nossos projetos passam pelo crivo da nossa carteira, competem com outros projetos e têm que ter a atratividade desejada pela empresa”, declarou. Segundo Magda, a Petrobras busca equilibrar retorno financeiro, atendimento à sociedade e interesse dos acionistas.



