Presidente do Banco Central disse que instituição não tem que servir de palanque político ou gravar vídeos para o TikTok; altercação se deu quando senador perguntou sobre venda do banco para o BRB
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), bateram boca durante uma audiência pública no colegiado nesta 3ª feira (19.mai.2026). A discussão começou quando o congressista questionou o chefe da autoridade monetária sobre a venda do Banco Master para o BRB.
Renan disse que o Banco Central havia pedido ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) R$ 11 bilhões para salvar o Master. “Alguém, por acaso, pediu ao senhor direta ou indiretamente para o Banco Central salvar o Master na sua gestão?”, questionou.
Assista ao vídeo (7min55s):
“Eu tenho certeza que não foi o senhor, mas alguém lhe informou. A informação está errada. Não há valores, não há nenhuma carta com valor de R$ 11 bilhões. O Banco Central jamais tentou viabilizar a venda”, respondeu Galípolo.
O senador disse, então, que o chefe da autoridade monetária havia dito em outra ocasião que a operação entre os bancos era correta. Segundo Renan, a declaração havia sido dada antes da liquidação do Master, determinada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. A alegação foi de fraude financeira. Galípolo rebateu.
“Não, não, não, o Banco Banco Central jamais diria que a operação é correta, porque o Banco Central não comenta sobre instituição particular. Eu não posso fazer isso”, disse.
Renan disse que apresentaria um áudio com a declaração que alega ter sido feita, mas o material não foi apresentado até o final da audiência.
O senador classificou como “gravíssimo” Galípolo não ter reagido publicamente a um projeto apresentado por partidos do Centrão na época que dava ao Congresso poder de destituir a cúpula do Banco Central. “A reação pública de Vossa Excelência naquele momento era pedagógica para a autonomia do BC, e isso não foi feito. Isso é gravíssimo”, disse.
Em resposta, Galípolo disse que teve reação pública sim. “Posso pegar a palavra um pouco? Ela foi pedagógica. No dia seguinte, o BC teve a coragem de rejeitar. O Banco Central não tem que pegar para televisão e gravar um Instagram ou um TikTok. O Banco Central toma a decisão correta, independente de quem está jogando pedra e fazendo barulho”, disse.
Neste momento, Galípolo e Renan começam a falar um por cima do outro. “O senhor acha que o Banco Central não tem que reagir à pressão?”, disse Renan. “Exato, o Banco Central não tem que reagir à pressão”, disse Galípolo. “Como é que vai prevalecer o Banco Central independente se o banco não reagir”, disse Renan.




