Fed mantém juros nos EUA no patamar de 3,50% a 3,75% ao ano

Decisão reflete economia resiliente, com inflação acima da meta e maior incerteza com a guerra no Oriente Médio

O Fed (Federal Reserve), banco central dos Estados Unidos, manteve nesta 4ª feira (29.abr.2026) a taxa de juros no intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. A decisão do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) reflete um cenário de atividade econômica em expansão sólida, ainda pressionado por inflação elevada e incertezas geopolíticas.

Em comunicado, a autoridade monetária afirmou que o crescimento do emprego tem sido moderado, enquanto a taxa de desemprego mudou pouco nos últimos meses. A inflação, porém, segue acima da meta de 2%. Eis a íntegra (PDF – 171 kB, em inglês). Trata-se da 3ª manutenção seguida da taxa nesse patamar, que teve o intervalo reduzido para 3,50% a 3,75% em dezembro de 2025.

INCERTEZA GEOPOLÍTICA E MANDATO DUPLO

A autoridade monetária destacou que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, envolvendo EUA e Israel contra o Irã, têm elevado o nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas.

O Comitê reiterou seu compromisso com o “mandato duplo”, que orienta o banco central dos EUA a equilibrar 2 objetivos: máximo emprego e estabilidade de preços. A meta é manter o mercado de trabalho aquecido sem perder o controle da inflação.

Para as próximas decisões, a autoridade monetária afirmou que avaliará cuidadosamente os dados e o balanço de riscos, com base em uma ampla gama de indicadores, como:

  • condições do mercado de trabalho;
  • expectativas e pressões inflacionárias;
  • desenvolvimentos financeiros e internacionais.

DIVISÃO NO COMITÊ

A decisão de abril evidenciou uma divisão interna relevante no FOMC. O presidente Jerome Powell e outros 7 membros votaram pela manutenção da taxa. Houve, porém, 4 divergências:

  • Stephen I. Miran – o último integrante indicado pelo presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), defendeu a redução dos juros em 0,25 ponto percentual;
  • Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan – apoiaram a manutenção, mas se opuseram à inclusão de sinalizações de corte de juros no comunicado.

IMPLEMENTAÇÃO MONETÁRIA E RESERVAS

Além da taxa básica, o Fed manteve os juros pagos sobre saldos de reserva em 3,65%, com vigência a partir de 30 de abril de 2026. A taxa de crédito primário, cobrada em empréstimos diretos do banco central a instituições financeiras, também chamada de “redesconto”, permanece em 3,75%.

Na gestão de liquidez, o banco central orientou a mesa de operações do Fed de Nova York a:

  • realizar operações de recompra a 3,75% e recompra reversa a 3,5%;
  • ampliar a carteira de títulos com a compra de letras do Tesouro e outros papéis com vencimento de até 3 anos, para manter nível elevado de reservas no sistema;
  • reinvestir pagamentos de principal de títulos de agências em letras do Tesouro.


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