Complexo é patrimônio mundial da Unesco; ofensivas deixaram pelo menos 9 mortos
Uma série de ataques russos com mísseis e drones matou ao menos 9 pessoas na Ucrânia nesta 2ª feira (15.jun.2026) e provocou um incêndio na Catedral da Dormição, construída no século 11. O templo integra o complexo monástico de Kyiv-Pechersk Lavra, em Kiev, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Imagens divulgadas pelos serviços de emergência mostraram chamas próximas às torres e cúpulas da catedral. Bombeiros trabalharam no combate ao fogo. Segundo o jornalista Peter Beaumont, do The Guardian, 6 pessoas ficaram feridas no local.
A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, classificou o episódio como um “ataque brutal contra” o povo e o patrimônio do país. A ministra da Cultura, Tetyana Berezhna, confirmou os danos à catedral, segundo as jornalistas Victoria Butenko e Rhea Mogul, da CNN.
Assista a um vídeo que mostra o incêndio (12s):
Right now, as Russians continue to strike #Kyiv with over a dozen of ballistic missiles, the Dormition Cathedral of Kyiv‑Pechersk Lavra — a UNESCO World Heritage site and priceless cultural landmark — has been struck and is burning.
A brutal assault on our people and our… pic.twitter.com/JfG2IjUWOD— Yulia Svyrydenko (@Svyrydenko_Y) June 14, 2026
O complexo religioso foi fundado no século 11 e reúne igrejas na superfície e no subsolo. A Unesco o descreve como uma obra-prima da arte ucraniana. Relíquias de santos foram enterradas nas cavernas ao longo dos séculos.
O local entrou em 2023 na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo por causa do risco de destruição relacionado à ofensiva russa. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, disse que o governo iniciará procedimentos na Unesco e em outros organismos internacionais para pedir uma resposta aos danos.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (Servo do Povo, centro), disse no X que a Rússia usou 70 mísseis e 611 drones contra o país. O ucraniano afirmou que o incêndio no telhado da Catedral da Dormição já havia sido apagado e classificou o bombardeio ao complexo Kyiv-Pechersk Lavra como “um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã até agora”.
Zelensky pediu uma resposta dos países do G7, reunidos na França. “É muito importante que haja uma resposta decisiva e concreta: mais pressão sobre o agressor e mais apoio à defesa aérea da Ucrânia, especialmente às capacidades contra mísseis balísticos”, declarou.

Os ataques foram realizados antes da reunião do G7, na qual a guerra na Ucrânia deve estar entre os temas discutidos. No domingo (14.jun), Zelensky disse ter conversado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), sobre as negociações para encerrar o conflito.
Cerca de 140 mil imóveis na região norte de Kiev ficaram sem energia elétrica, de acordo com o prefeito Vitali Klitschko. Alertas de ataque aéreo foram acionados em grande parte do território ucraniano.
Em Kharkiv, no nordeste do país, 5 integrantes das equipes de resgate morreram enquanto tentavam apagar um incêndio provocado por um ataque russo. Outras 5 pessoas ficaram feridas.
A Polônia mobilizou caças e colocou sistemas terrestres de defesa aérea e radares em estado de prontidão como medida preventiva.
Autoridades russas também disseram que drones ucranianos mataram 3 pessoas e feriram outras 3 na cidade de Tula, ao sul de Moscou. Entre os feridos está uma criança de 1 ano.
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