Durante fórum em São Paulo, governador citou Sabesp e disse que debate ignora resultados das concessões
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta 2ª feira (15.jun.2026) que o debate sobre privatizações no Brasil ainda é marcado por questões ideológicas. Durante participação no Veja Fórum Rumos do Brasil, em São Paulo, defendeu a participação da iniciativa privada em projetos de infraestrutura e serviços públicos e declarou que “ideologia e aritmética são dois valores que não se misturam”.
A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a resistência de parte da opinião pública às privatizações, apesar do avanço de programas de concessão e desestatização nas últimas décadas. Além de Tarcísio, participam do evento o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), os pré-candidatos à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), e o senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, também está entre os convidados da programação.
“Às vezes tem muita ideologia nesse debate. Ideologia e aritmética são dois valores que não se misturam”, afirmou.
Segundo Tarcísio, a população reconhece os benefícios dos investimentos privados em áreas como rodovias, aeroportos e transporte quando passa a utilizar esses serviços. Para ele, a discussão não deve ignorar os resultados obtidos por projetos concedidos à iniciativa privada.
“Ninguém abre mão de andar numa rodovia concedida com segurança. Quem é que abre mão da segurança? Quem é que abre mão de ter uma boa logística?”, disse.
O governador também afirmou que o Estado não tem condições de realizar sozinho todos os investimentos necessários para ampliar a infraestrutura do país.
“Não dá para partir do pressuposto de que o Estado vai dar conta de fazer tudo sozinho. Isso é falso. Não vai”, declarou.
Durante a entrevista, Tarcísio citou exemplos de concessões e privatizações realizadas no Brasil e disse que o país acumulou experiências bem-sucedidas em setores como telecomunicações, aeroportos e rodovias. Segundo ele, houve evolução na estruturação dos projetos e na regulação, o que contribuiu para aumentar a segurança dos investidores.
Ao comentar o programa de desestatização paulista, o governador disse que o Estado contratou cerca de R$ 390 bilhões em investimentos por meio de parcerias com a iniciativa privada. Também voltou a defender a privatização da Sabesp, sob o argumento de que a medida permitirá acelerar investimentos para universalizar o saneamento básico e ampliar o tratamento de esgoto nos municípios paulistas.
Para Tarcísio, a ampliação da participação privada deve continuar a ser avaliada em diferentes setores da economia. O governador citou, inclusive, a possibilidade de futuras parcerias voltadas a áreas ligadas à economia do conhecimento e à computação de alto desempenho.
“A gente pode ser muito criativo na hora de desenhar parcerias público-privadas e trazer o capital privado para coisas que às vezes não são tão óbvias”, afirmou.



