Advogado deixa defesa de ex-presidente do BRB durante delação

Eugênio Aragão deixa a banca de Paulo Henrique Costa, que negocia acordo de colaboração com investigadores

A defesa do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, sofreu uma mudança nesta 3ª feira (19.mai.2026) com a saída do advogado Eugênio Aragão. O executivo negocia com a Polícia Federal e com a Procuradoria Geral da República um acordo de delação premiada desde meados de abril, quando contratou os criminalistas Davi Tangerino e Eugênio Aragão.

Paulo Henrique Costa está preso preventivamente desde 16 de abril. O ex-presidente do BRB é investigado por suspeita de receber propina de Daniel Vorcaro para facilitar as tratativas de compra do Banco Master pela estatal do Distrito Federal.

Ao deixar a defesa do executivo, Aragão afirmou que “eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas”. O advogado ressaltou que participa de casos que tenham “absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade”.

Até o momento, a defesa do executivo continua sob a condução do criminalista Davi Tangerino.

Eugênio Aragão é procurador da República aposentado e ex-ministro da Justiça no governo de Dilma Rousseff (PT). Ele também atuou como advogado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas campanhas presidenciais de 2018 e 2022. Ao lado de Cristiano Zanin, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, Aragão foi um dos responsáveis por ações jurídicas que resultaram na inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL).

Eis a íntegra da nota do advogado Eugênio Aragão:

“O advogado Eugênio Aragão informa que está deixando a condução da defesa de Paulo Henrique Costa.

“Com quase 30 anos de atuação no Ministério Público Federal e extensa trajetória em funções de cúpula da instituição, Eugênio Aragão somente participa de iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade.

“Eventual colaboração premiada apenas seria considerada diante da existência de provas consistentes e inequívocas, sempre com respeito à legalidade, às instituições e à reputação das pessoas envolvidas.”

PRISÃO DE COSTA

Costa está preso desde 16 de abril de 2026. Até o momento, a analise da prisão do executivo pela 2ª Turma está com placar de 2 a 0 para manter a detenção de Costa e do advogado Daniel Monteiro, suspeito de atuar no pagamento de propinas ao então dirigente do BRB pelo Banco Master.

Segundo as investigações da PF, Costa negociou R$ 146 milhões em propinas em troca de favorecer o Master no banco estatal de Brasília. O ex-presidente já havia sido afastado do cargo por ordem da Justiça Federal em 2025, durante a 1ª fase da Operação Compliance Zero. 

Segundo os investigadores, a 4ª fase das apurações indentificou 6 imóveis de luxo como forma de pagamento das propinas, chegando ao repasse de R$ 74 milhões. Contudo, a PF afirma que Vorcaro não concretizou os pagamentos na totalidade porque teve ciência de um procedimento investigatório sigiloso do Ministério Público Federal, em abril de 2025, para apurar o pagamento de propina a Costa.

Eis os imóveis atribuídos ao ex-presidente do BRB:

  • Heritage;
  • Arbórea;
  • One Sixty;
  • Casa Lafer;
  • Ennius Muniz;
  • Valle dos Ipês.

As apurações indicam que, ao tomar ciência das investigações, Vorcaro ordenou que Daniel Monteiro “travasse tudo”, bloqueando os pagamentos e a formalização do registro das transações.

Os policiais afirmam que foi Felipe Mourão, o “Sicário”, apontado como integrante do núcleo de inteligência do Master, quem encaminhou as peças sigilosas para Vorcaro em 24 de junho.


source

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com