O diretor interino do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos), Todd Lyons, afirmou que deixará o cargo no fim de maio para seguir para a iniciativa privada. A saída ocorre em um momento de pressão sobre a agência, responsável por executar a política de deportações em massa do presidente Donald Trump (Partido Republicano).
Lyons informou em carta que foi “uma honra tremenda” liderar o órgão, mas decidiu sair para “passar mais tempo com a família”, segundo os jornalistas Madeleine Ngo e Hamed Aleaziz, do The New York Times. “Meus filhos estão chegando a um momento crucial em suas vidas, e minha esposa e eu queremos passar o máximo de tempo possível com eles”, escreveu. “Não foi uma decisão fácil, mas acredito que é a correta neste momento.”
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, confirmou que o último dia de Lyons será 31 de maio e disse que ele deve assumir uma posição no setor privado, segundo o jornalista Michael Wright, do Wall Street Journal. Em nota, Mullin afirmou: “Graças à sua liderança, as comunidades americanas estão mais seguras.”
A gestão de Lyons foi marcada por operações contra imigrantes em várias cidades dos Estados Unidos. Agentes federais realizaram ações em áreas urbanas para deter migrantes, o que provocou disputas com autoridades locais e críticas de organizações civis.
Casos de mortes durante operações ampliaram a pressão sobre a agência. Em Minneapolis, 2 cidadãos norte-americanos desarmados morreram em ações do ICE neste ano, o que gerou protestos e levou o governo a reduzir parte das operações. Trump disse que “poderia ter tido mais tato”.
Durante audiência no Congresso, Lyons disse que o ICE realizou 379.000 prisões e mais de 475.000 deportações no 1º ano do governo Trump. Ele foi criticado por não pedir desculpas pelas mortes registradas nas operações.
A saída também ocorre semanas depois de mudanças no comando do Departamento de Segurança Interna. Mullin assumiu o cargo depois da demissão de Kristi Noem, em meio a controvérsias na condução da política migratória.
Nos bastidores, a decisão de deixar o cargo também foi associada a desgaste pessoal. O jornalista Aaron Pellish, do Politico, informou que Lyons enfrentou problemas de saúde ligados ao estresse e chegou a ser hospitalizado durante o período à frente da agência.
Aliados do governo elogiaram a atuação do diretor. O assessor da Casa Branca Stephen Miller afirmou que Lyons foi “um patriota fenomenal e um líder dedicado” nas ações para reforçar o controle de fronteiras.




