Ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de SP afirmou que já havia sido “alertado” sobre dono do Banco Master
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta 4ª feira (15.abr.2026) que rejeitou múltiplos pedidos de reunião com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que foi liquidado por fraudes de R$ 12 bilhões.
O ex-ministro disse que, durante sua gestão na Fazenda, recebeu diversas solicitações de encontro com Vorcaro. Ele optou por não aceitar nenhuma das reuniões propostas pelo banqueiro por ter sido alertado por uma equipe do ministério que analisava o balanço do Master.
“Eu, que sou lá da Fazenda, e não tenho nada a ver com supervisão bancária, tinha uma equipe lá analisando o balanço do Master, e eu me recusei diversas vezes a receber essa figura [Daniel Vorcaro], porque todo mundo me alertava que aquilo ali era nitroglicerina [substância química conhecida por ser um explosivo potente]. E eu não o recebi”, afirmou Haddad à CNN Brasil.
Apesar das recusas do então ministro, o Poder360 confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, em 4 dezembro de 2024, de uma reunião no Palácio do Planalto com o banqueiro Daniel Vorcaro sem registro nos compromissos oficiais do petista.
Estiveram reunidos:
- Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República;
- Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master;
- Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda;
- Rui Costa, ministro da Casa Civil;
- Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
- Gabriel Galípolo, então indicado à presidência do BC;
- Augusto Lima, então CEO do Banco Master.
Durante a reunião, Vorcaro falou sobre a concentração do sistema bancário brasileiro e a atuação dos grandes bancos no mercado financeiro. Lula respondeu que o tema não era de competência direta do governo e cabia ao Banco Central. O presidente afirmou que assuntos dessa natureza deveriam ser tratados de forma técnica e isenta pela autoridade monetária.
O Poder360 apurou que Lula pediu a Galípolo o acompanhamento das queixas com critérios “técnicos e isentos”. Ele assumiu o cargo no banco em 1º de janeiro de 2025.
Meses depois, já sob a presidência de Galípolo, o Banco Central rejeitou a venda do Master ao BRB (Banco de Brasília) e decretou a liquidação da instituição.




