Beth Goulart recorda pausa para ajudar a mãe, Nicette, a superar morte de Paulo Goulart

No “Programa Flávio Ricco”, a veterana emocionou ao relembrar os pais e refletiu sobre a perda de profundidade e emoção na teledramaturgia

A atriz Beth Goulart abriu o coração durante sua participação no “Programa Flávio Ricco” desta terça (16/6), na LeoDias TV. Em uma entrevista emocionante, ela revisitou o legado inestimável deixado por seus pais, Nicette Bruno e Paulo Goulart, detalhou como a arte salvou sua mãe do luto e analisou as drásticas transformações nas novelas atuais.

Um dos momentos mais tocantes da conversa foi a revelação da artista sobre o período em que perdeu o pai. Paulo Goulart faleceu em março de 2014, logo após completar 60 anos de casamento com Nicette Bruno. Na época, diante do agravamento da saúde do patriarca, a atriz tomou a difícil decisão de paralisar sua aclamada peça, “Simplesmente Eu, Clarice Lispector”.

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“Vou deixar a Clarice dormindo porque eu precisava me dedicar à mamãe”, relembrou. Para ajudar Nicette a lidar com o vazio imenso da perda, Beth usou o teatro como uma verdadeira ferramenta de cura. Ela adaptou e dirigiu o espetáculo “Perdas e Ganhos”, da escritora Lya Luft, para que a mãe estrelasse.

“Eu falei: ‘Trabalho é vida’. Eu tenho que chamar a mamãe para a vida, mostrar a força dela no palco. […] A melhor homenagem que se pode fazer a quem se foi é viver”, destacou a atriz, definindo o projeto como um processo fundamental.

Legado de amor e química na vida real

A sintonia inegável de Nicette e Paulo, que transbordava das câmeras para a vida íntima, também foi exaltada na entrevista. Para Beth, o maior patrimônio deixado pelo casal vai muito além da vocação artística.

“Eles tinham uma química no palco e na vida. Eram muito amorosos, muito generosos. Essa energia de amor, carinho, respeito e fé passou para nós. Esse é o nosso grande legado, uma referência de seres humanos que lidam com amor naquilo que fazem. Não é à toa que nascemos todos na mesma família”, declarou, enfatizando a “força missionária” de seus pais.

Crítica às novelas: “A informação ficou mais importante que a emoção”

Com uma carreira consagrada na televisão, Beth também fez uma análise crítica sobre o formato atual da teledramaturgia. Ela apontou que o hábito saudoso de reunir a família na sala para acompanhar um capítulo e debater a história foi substituído por uma experiência solitária e imediatista, muito impulsionada pela era do streaming.

Segundo a veterana, as produções passaram a refletir essa pressa comportamental, sacrificando a densidade narrativa. “As pessoas não querem mais passar muito tempo assistindo. A gente sente falta de pausas nas representações, de uma cena mais longa para aprofundar o tema. Hoje, a informação ficou mais importante do que a emoção”, cravou a artista.

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