Elétricos e híbridos atingem participação recorde no mercado de janeiro a maio, com 17,3% das vendas de veículos no país
As vendas de veículos eletrificados no Brasil cresceram 33.000% nos últimos 10 anos, passando de 846 unidades em 2015 para 285,4 mil em 2025. A participação desse tipo de automóvel no mercado nacional vem batendo recordes consecutivos nos últimos anos e atingiu o patamar mais alto da história no período de janeiro a maio de 2026, com 17,3% das vendas no país, segundo balanço da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
De janeiro a maio de 2026, o mercado de eletrificados já vendeu 190.792 unidades, mais do que os 104.888 modelos a diesel e 32.471 a gasolina comercializados no período, e em menos de um semestre, já se aproxima do resultado de 2025.
A popularização dos eletrificados no Brasil é um fenômeno relativamente recente. O crescimento da procura por esse tipo de veículo é impulsionado principalmente pela entrada de veículos chineses com preços mais acessíveis do que os oferecidos por montadoras tradicionais.
Os primeiros eletrificados da China começaram a chegar no Brasil em 2015, mas foi a partir de 2021 que o país começou a receber uma grande onda de veículos de passeio liderada por empresas como BYD, Caoa Chery, JAC Motors e GWM.

As 3 modalidades de veículos eletrificados mais procuradas pelos brasileiros são os híbridos, elétricos puros, híbridos plug-in. A principal diferença está no nível de eletrificação:
- híbrido convencional (HEV, Hybrid Electric Vehicle) – tem um motor a combustão e um motor elétrico. Não precisa ser conectado à tomada. A bateria é recarregada automaticamente pelo próprio motor a combustão e pela energia gerada nas frenagens e desacelerações;
- elétricos puros (BEV. Battery Electric Vehicle) – não possui motor a combustão e é movido 100% por eletricidade armazenada em baterias. Precisa ser recarregado na tomada;
- híbrido plug-in (PHEV, Plug-in Hybrid Electric Vehicle) – combina um motor a combustão (gasolina/flex) com um ou mais motores elétricos. A diferença para um híbrido comum é que a bateria é maior e pode ser recarregada na tomada.
Entre os 3 tipos de eletrificados mais populares, os híbridos convencionais, que incluem motor a combustão, são os mais procurados pelos brasileiros. Em 2025, foram vendidas 109,8 mil unidades da modalidade, contra 95,2 mil plug-ins e 80,3 elétricos puros.
Essa tendência, no entanto, vem se invertendo em 2026. De janeiro a maio, os elétricos puros lideram com 69,7 mil vendas, ante 62,9 mil dos híbridos convencionais e 58,1 mil dos plug-ins. Em maio, os veículos 100% elétricos bateram o recorde de vendas para um único mês, com 21 mil unidades comercializadas.
Os brasileiros passaram a se interessar cada vez mais por eletrificados principalmente por causa dos custos operacionais consideravelmente mais baixos dos que os de veículos tradicionais.
A economia com combustível, sobretudo em um momento de alta internacional do petróleo, é uma das principais vantagens desse tipo de veículo. Os eletrificados também exigem menos atividades de manutenção e trocas de peças, que estão entre os principais gastos para donos de veículos.
Em alguns Estados, os eletrificados também recebem isenção ou vantagens relacionadas ao pagamento de IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). É o caso de unidades federativas como Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A política, no entanto, varia de Estado para Estado.
Para Ricardo Bastos, presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), os números recentes do mercado de eletrificados mostram que a tendência não é sazonal ou acidental.
“Ao contrário, ela é coerente ao longo do tempo; mostra que o consumidor leva cada vez mais em conta as vantagens do veículo eletrificado na hora da sua decisão de compra”, afirma o executivo.



