Órgão fica sem comando a poucos meses das eleições de meio de mandato nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), demitiu os 2 integrantes democratas da EAC (Comissão de Assistência Eleitoral) e deixou o órgão federal sem comando a poucos meses das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.
Thomas Hicks, que ocupava o cargo de presidente da comissão, e Benjamin Hovland foram informados por e-mail na 5ª feira (9.jul.2026) de que seus mandatos estavam encerrados com efeito imediato. A republicana Christy McCormick deixou o cargo, enquanto outra cadeira já estava vaga desde a saída de Donald Palmer, também republicano.
“Em nome do presidente Donald J. Trump, escrevo para informar que seu cargo como comissário da Comissão de Assistência Eleitoral está encerrado, com efeito imediato. Obrigado por seu serviço”, dizia o texto, segundo os jornalistas Bo Erickson e Erin Banco da agência Reuters.
A comissão precisa da concordância de 3 de seus 4 integrantes para aprovar decisões. Os substitutos devem ser indicados pelo presidente e confirmados pelo Senado, com limite de 2 representantes do mesmo partido. O secretário de Estado do Arizona, Adrian Fontes, classificou as demissões como “irresponsáveis e perigosas” e disse que a medida enfraquece a administração eleitoral apartidária.
Criada pelo Congresso em 2002, depois das disputas na eleição presidencial de 2000, a EAC é a única agência federal dedicada exclusivamente à administração eleitoral. O órgão não controla cédulas, cadastros de eleitores nem autoridades estaduais, mas presta apoio técnico aos responsáveis pelas eleições em todo o país.
Entre suas funções estão a distribuição de recursos para segurança eleitoral, a manutenção do formulário nacional de registro de eleitores pelo correio e a certificação voluntária de máquinas e sistemas de votação. A comissão também fornece treinamento e informações sobre ameaças cibernéticas.
De acordo com os jornalistas Aaron Pellish e Zach Montellaro, do jornal digital Politico, a Casa Branca afirmou que Trump, como chefe do Executivo, tem o direito de afastar pessoas que não estejam “totalmente alinhadas” com a tarefa de proteger as eleições e garantir a contagem de todos os votos legais.
A decisão foi tomada dias depois de a Suprema Corte ampliar o poder presidencial para demitir dirigentes de agências federais independentes.
Em março de 2025, Trump assinou um decreto para exigir prova de cidadania no formulário nacional de registro eleitoral. A medida foi bloqueada por um juiz federal. Outra tentativa de impedir o repasse de recursos a Estados que não adotassem essa exigência também foi barrada.
Leia mais:



