Terremoto de magnitude 7,8 deixa 20.000 desabrigados nas Filipinas

Maior abalo sísmico no país em 50 anos atingiu o sul do arquipélago e deixou ao menos 37 mortos

Um forte terremoto de magnitude 7,8 atingiu o sul das Filipinas e deixou mais de 20.000 pessoas desabrigadas na ilha de Mindanao. O tremor, registrado na 2ª feira (8.jun.2026) –noite de domingo (7.jun), no horário de Brasília–, é considerado o abalo sísmico mais potente a atingir o arquipélago em meio século. O tremor resultou na morte de ao menos 37 pessoas e deixou cerca de 500 feridos.

Equipes de resgate intensificaram as buscas nos destroços, nesta 3ª feira (9.jun), para garantir que não há vítimas presas sob as estruturas comerciais e residenciais que colapsaram. Embora o balanço da Defesa Civil local aponte um número total superior a 32.000 afetados pelas remoções, os registros oficiais confirmam que a destruição imediata e o risco de desabamentos desalojaram 20.000.

FUGA POR MEDO DE TSUNAMI

O deslocamento em massa foi agravado pelo temor de um tsunami na costa sul de Mindanao. Ondas de até 1,4 metro acima do nível normal da maré chegaram a ser medidas pelas autoridades litorâneas, mas os danos limitaram-se a 6 habitações sobre palafitas. Alertas e oscilações menores na água foram detectados também na Indonésia, em Palau e no sul do Japão.

O impacto e as mortes concentraram-se em duas províncias principais:

  • General Santos: a cidade costeira de 700 mil habitantes teve ao menos 13 mortes registradas em função da queda de escombros e fachadas de edifícios;
  • Província de Sarangani: contabilizou 18 mortes, a maioria decorrente de um grande deslizamento de terra que soterrou casas na região montanhosa do município de Glan.

O levantamento preliminar do governo filipino indica que 2.500 residências e 117 prédios e instalações públicas registraram danos estruturais severos. O aeroporto internacional de General Santos foi fechado, resultando no cancelamento de 63 voos domésticos.

ESCOLAS FECHADAS E RISCO DE RÉPLICAS

O desastre natural foi registrado exatamente no 1º dia de aulas do ano letivo nacional, depois das férias de verão. No horário do tremor, muitos dos estudantes feridos foram atingidos enquanto participavam das cerimônias matinais de hasteamento da bandeira nos pátios das instituições.

O governo determinou a suspensão das atividades em 6.000 prédios de escolas públicas nas províncias atingidas para que engenheiros avaliem as condições de segurança das edificações. O Gabinete de Defesa Civil alertou que os desabrigados não devem retornar às estruturas que apresentam rachaduras, pois há o risco de novos colapsos provocados pelas réplicas (tremores secundários) que continuam ativas na região.

RESPOSTA GOVERNAMENTAL

O presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., enviou ministros e chefes de mitigação de desastres da capital Manila para coordenar os trabalhos de campo e gerenciar o envio de milhares de cestas de alimentos e insumos de construção civil para os desabrigados. Os Estados Unidos informaram que estão em coordenação com o governo local para prestar apoio humanitário, enquanto França, Japão e Nova Zelândia também formalizaram ofertas de ajuda logísitica.

O abalo teve origem na movimentação tectônica da Fossa de Cotabato, a mesma falha geológica submarina que, em agosto de 1976, provocou um tremor de magnitude 8,1 e um tsunami de 10 metros que matou 8.000 pessoas no sul do país.

As Filipinas lidam constantemente com tremores de terra e erupções vulcânicas por estarem localizadas sobre o “Anel de Fogo do Pacífico”. Somado a isso, o arquipélago sofre o impacto de cerca de 20 tufões e tempestades tropicais todos os anos, figurando entre as regiões com maior vulnerabilidade climática e geológica do planeta.


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