SÃO PAULO, 5 Mai (Reuters) – As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a terça-feira em baixa, com investidores reagindo à ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e ao ambiente mais positivo nos mercados globais, ainda que a guerra no Oriente Médio siga em curso.
Com os rendimentos dos Treasuries em queda, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,825%, em baixa de 14 pontos-base ante o ajuste de 13,966% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,865%, com queda de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,905%.
Na ata divulgada pela manhã, o BC avaliou que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio aumenta a chance de impactos duradouros na economia global. Para o BC, a duração da guerra até o momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, ‘sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028’.
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No boletim Focus divulgado na segunda-feira, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação em 2028 estava em 3,64% — acima dos 3,60% de um mês antes e dos 3% da meta perseguida pelo BC.
Na semana passada, o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,50% ao ano, mas pregou cautela quanto ao futuro em função das incertezas sobre a guerra e seus efeitos inflacionários. Antes mesmo da decisão, membros do Copom vinham demonstrando insatisfação com os avanços das expectativas de inflação, em especial para 2028.
‘Com petróleo mais alto por mais tempo e expectativas de inflação com alguma elevação no longo prazo, o mercado já ajustou para um corte esperado na Selic, em ritmo mais moderado, e taxa terminal mais elevada’, avaliou Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, em comentário escrito. ‘Portanto, a ata não traz surpresa.’
Apesar do tom cauteloso da ata, as taxas dos DIs exibiram perdas durante todo o dia, após os ganhos firmes da véspera.
“A ata de abril deixa claro que o comitê não discutiu opções diferentes a uma redução da taxa Selic em 25 pontos-base. O fato de essa discussão não ter acontecido em abril, diferentemente de março, sugere que o Copom entende que esse é o ritmo ‘apropriado’ do processo de calibração nas atuais circunstâncias”, avaliou Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management. “Assim, acreditamos que, até segunda ordem, esse será o ritmo.”
Nesta tarde de terça-feira, a curva a termo precificava cerca de 65% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 35% de chance de manutenção.
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A queda das taxas futuras no Brasil foi corroborada pelo exterior, onde os rendimentos dos Treasuries também caíram. No foco dos investidores esteve novamente a disputa pelo Estreito de Ormuz.
Nesta terça-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o cessar-fogo com o Irã não terminou, mesmo com os dois países trocando tiros no Golfo Pérsico, enquanto lutam pelo controle da hidrovia.
Já o presidente dos EUA, Donald Trump, desqualificou a capacidade militar do Irã e disse que Teerã ‘deveria acenar a bandeira branca da rendição’, mas é orgulhoso demais para fazer isso.
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Ainda que o conflito continue, a sessão foi marcada por maior otimismo nos mercados globais, com queda dos preços do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries. Às 16h37, o retorno do título norte-americano de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 3 pontos-base, a 4,418%.



