Satisfação dos norte-americanos com o capitalismo despenca em 11 anos

Segundo pesquisa do WSJ com o Norc, a maioria dos entrevistados considera que o sistema econômico favorece bilionários e grandes empresas em detrimento dos trabalhadores

A insatisfação dos norte-americanos com a economia do país cresceu, segundo pesquisa do Wall Street Journal feita em parceria com o Norc, instituto de pesquisa da Universidade de Chicago. Questões como o “sonho americano” e o modelo econômico do capitalismo motivam queda de otimismo em 2026. Leia a íntegra (PDF – 687 kB).

Os dados mostram que o desagrado com o capitalismo cresceu 14 pontos percentuais em uma década. Em 2015, 37% dos norte-americanos diziam que o capitalismo não funcionava bem ou não funcionava de forma alguma. Neste ano, essa taxa subiu para 51%.

O levantamento, conduzido de 11 a 18 de junho de 2026, ouviu 1.862 adultos nos Estados Unidos, com amostras ampliadas de norte-americanos negros, latinos e asiático-norte-americanos. A margem de erro é de 3,4 p.p.

A pesquisa mostra que apenas 48% dos norte-americanos avaliam o capitalismo como funcionando muito bem ou razoavelmente bem. Há 11 anos, essa taxa era de 60%. A maioria dos entrevistados considera que o sistema econômico favorece bilionários e grandes empresas em detrimento dos trabalhadores.

A QUEDA DO SONHO AMERICANO

O ceticismo em relação ao chamado “sonho americano” também atingiu o patamar mais baixo desde que o indicador começou a ser medido. A crença no lema de que a população vai progredir se trabalhar duro caiu de mais da metade para cerca de 1/3 da população.

Só 35% dos entrevistados dizem ter certeza de que o país oferece às pessoas condições de conseguir bons empregos e melhorar de condição de vida. Em 2012, essa proporção era de 53%.

A desconfiança vai além da economia. Só 12% dizem que a democracia funciona muito bem ou extremamente bem. Apenas 16% acreditam que cidadãos comuns têm influência considerável sobre a política. 

Cerca de 2/3 dos norte-americanos afirmam que o país está em declínio. Aproximadamente 60% dizem que os melhores dias dos Estados Unidos ficaram para trás.

Nesse ponto, maiorias de republicanos concordam com grandes parcelas de democratas e independentes. A insatisfação com a concentração de poder econômico une eleitores dos partidos.

Cerca de 3/4 dos entrevistados concordam que bilionários e grandes empresas têm poder excessivo em Washington e que os trabalhadores têm pouco. Uma maioria estreita, de 52%, concordou que o poder corporativo prejudica trabalhadores e consumidores e que o governo deveria limitar essa influência, chegando até a assumir o controle de alguns negócios.

O patriotismo também perdeu força: 35% dos entrevistados afirmam que ele é muito importante para eles, contra mais de 60% que diziam o mesmo em 2019, em levantamento do WSJ com a NBC News.

Menos de um terço apontou a religião como muito importante, ante cerca da metade em 2019. Menos de 40% dizem ter muito orgulho da história norte-americana.

A divisão geracional é acentuada. Entre os norte-americanos de 18 a 34 anos, só 18% consideram o patriotismo muito importante, contra 55% entre os com 65 anos ou mais.

Na mesma faixa etária mais jovem, 42% avaliam o capitalismo como funcionando bem ou razoavelmente bem, taxa que sobe para 56% entre os mais velhos. O orgulho pela história do país também segue essa tendência: 23% dos jovens de 18 a 34 anos dizem ter muito orgulho, em comparação a 59% dos norte-americanos acima dos 65 anos.

Os dois campos políticos divergem profundamente em vários pontos. Dois terços dos republicanos disseram ter muito orgulho da história norte-americana, proporção três vezes superior à dos democratas.

Quase metade dos republicanos afirma que os Estados Unidos se situam acima de todos os outros países no mundo. Entre democratas, esse percentual cai para 8%; entre independentes, para 13%. No momento, os Estados Unidos são administrados pelo presidente republicano Donald Trump.

A pesquisa também registrou posições sobre temas em disputa em Washington. Dois terços dos entrevistados disseram que a separação entre Igreja e Estado é extremamente ou muito importante para a identidade nacional norte-americana.

Em relação à cidadania por nascimento no solo norte-americano, 58% manifestaram apoio ao princípio constitucional. Cerca de 60% disseram que a imigração beneficia mais do que prejudica os Estados Unidos.

A taxa de entrevistados que classificaram as relações raciais como ruins superou em 14 p.p. a daqueles que as consideraram boas. Em 2020, a diferença chegava a 45 pontos, logo depois do assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis.


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