Sala Zola e Escola do Brincar mostram como o acolhimento pode transformar a experiência em eventos culturais

Iniciativas da Raposo Acessibilidade no 26º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros reuniram recursos sensoriais, escuta qualificada e atividades lúdicas para ampliar a participação do público

Por Paula Rocha | Assessora de Comunicação da Raposo Acessibilidade

CHAPADA DOS VEADEIROS (GO) — Um ambiente tranquilo para fazer uma pausa, uma escuta atenta em um momento de dificuldade ou um brinquedo que ajude uma criança a participar de uma atividade coletiva. Em eventos culturais, ações como essas podem fazer diferença para quem precisa de condições específicas de acolhimento. Durante o 26º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, realizado em outubro de 2026, a Raposo Acessibilidade levou essa perspectiva à prática por meio de duas iniciativas: a Sala Zola e a Escola do Brincar.

Desenvolvidas em parceria com a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge (CCCJ), as ações integraram a proposta “Acessível para Todos”, que compreende a inclusão como um conjunto de recursos técnicos, comunicacionais, sensoriais e relacionais.

A iniciativa considerou as necessidades de pessoas com deficiência, pessoas autistas e neurodivergentes, crianças, idosos e outros participantes que poderiam precisar de suporte durante a programação. O acolhimento também alcançou profissionais envolvidos na produção do evento, submetidos à intensidade de uma rotina de trabalho em meio a uma programação cultural diversificada.

Sala Zola oferece um espaço de tranquilidade

Idealizada por Wagner Nascimento, consultor e coordenador da Raposo Acessibilidade, a Sala ZOLA foi concebida para receber visitantes e integrantes da produção que precisassem de um momento de descanso, tranquilidade ou acolhimento.

A escolha do nome surgiu da busca por uma expressão simples, capaz de transmitir a proposta do ambiente. Wagner explica que preferiu evitar a ideia de um espaço definido apenas pela descompressão e priorizar uma abordagem que valorizasse o cuidado.

“Eu passei uma semana pesquisando um nome que fosse simples e acolhedor. Encontrei Zola, que significa tranquilidade em Zulu. A ideia era exatamente essa: um lugar que recebesse as pessoas com carinho, café, aromaterapia, cromoterapia, recursos sensoriais e escuta profissional”, explica.

A estrutura reuniu cadeira de massagem, cromoterapia, aromaterapia, brinquedos sensoriais e o kit “SOS Mãe”. A combinação de recursos foi pensada para oferecer um ambiente de pausa em meio à circulação de pessoas, aos estímulos sonoros e visuais e à intensidade das atividades.

A proposta reconhece que a participação em um evento também depende da possibilidade de respeitar os próprios limites. Em vez de exigir que todos acompanhem a programação no mesmo ritmo, a iniciativa oferece uma alternativa para quem precisa interromper temporariamente as atividades e buscar um ambiente mais tranquilo.

Escuta qualificada também integra a acessibilidade

A Sala Zola contou com a participação de Kayki Hoffmann, acadêmico de Psicologia no último semestre, vindo de Tangará da Serra, em Mato Grosso. Sua atuação envolveu acolhimento e escuta qualificada de visitantes e profissionais da produção.

Durante os atendimentos, Kayki Hoffmann teve contato com pessoas de diferentes territórios, culturas e realidades. Ele relata que a experiência foi enriquecedora tanto pela possibilidade de contribuir para o bem-estar dos participantes quanto pelo aprendizado proporcionado pelo encontro com essa diversidade.

Para o acadêmico, o acolhimento integra as estratégias de acessibilidade porque permite oferecer suporte a pessoas que estejam enfrentando momentos de mal-estar emocional ou dificuldade para lidar com as circunstâncias.

“A diferença está no processo de formação. A psicologia exige cinco anos de estudo. Aprendemos disciplinas, técnicas e manejos para oferecer uma escuta ativa e qualificada, não apenas uma conversa informal ou conselhos”, afirma.

Kayki explica que a escuta qualificada não tem como objetivo impor decisões ou determinar qual caminho a pessoa deve seguir. A proposta é ajudá-la a reconhecer possibilidades, respeitando sua autonomia.

Sua mensagem aos participantes é que não deixem de expressar sentimentos e emoções a pessoas de confiança e que mantenham a busca por apoio psicológico quando necessário.

A presença de um espaço dedicado ao acolhimento também chama atenção para uma dimensão nem sempre considerada no planejamento de eventos: o bem-estar emocional de quem participa e de quem trabalha nos bastidores.

Kayki Hoffmann

Escola do Brincar valoriza a infância e a convivência

A atenção às diferentes necessidades do público também se estendeu às crianças. Na Escola do Brincar, atividades lúdicas, jogos colaborativos, brinquedos artesanais de madeira e músicas em línguas tradicionais criaram oportunidades de convivência e contato com outras expressões culturais.

Sem o uso de telas ou celulares, a proposta valorizou o brincar como forma de aprendizagem, interação e participação. As atividades foram coordenadas por educadores e articuladas com a atuação da assistente de acessibilidade Jéssica Rodrigues.

Segundo Jéssica, o trabalho do assistente começa no primeiro contato com a pessoa atendida. A função envolve orientar, identificar necessidades e disponibilizar suporte para favorecer a integração às atividades.

Durante o encontro, crianças que precisavam de recursos específicos receberam abafadores de ruído e brinquedos sensoriais. Esses recursos contribuíram para criar condições mais adequadas de participação para crianças com diferentes necessidades de comunicação e processamento sensorial.

Jéssica relata que uma das experiências mais marcantes foi acompanhar uma criança neurodivergente com desafios de comunicação durante sua participação nas brincadeiras.

“Recebemos crianças no espectro autista que precisavam de abafadores de ruído ou brinquedos sensoriais para conseguirem se integrar. Ver uma criança superar a resistência inicial e brincar junto com as outras é a maior recompensa”, conta.

A experiência evidencia que a inclusão infantil não depende de fazer com que todas as crianças respondam aos estímulos da mesma maneira. Ela exige reconhecer as particularidades de cada uma e oferecer condições para que participem no próprio ritmo.

A Sala Zóla e a Escola do Brincar têm propostas diferentes, mas compartilham um princípio: compreender as necessidades das pessoas antes de definir como atendê-las.

No espaço de acolhimento, a combinação de recursos sensoriais e escuta qualificada ofereceu uma alternativa para quem precisava de tranquilidade. Nas atividades infantis, brinquedos, jogos e adaptações contribuíram para ampliar as possibilidades de convivência.

Essas ações integram a compreensão de acessibilidade defendida pela Raposo Acessibilidade e pela Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge: a inclusão não se limita à infraestrutura, mas também envolve atitudes, comunicação e relações humanas.

A experiência reforça a importância de planejar eventos que considerem diferentes formas de interação com o ambiente. Para alguns participantes, a acessibilidade pode estar em um recurso de comunicação; para outros, na possibilidade de fazer uma pausa, receber orientação ou encontrar uma atividade compatível com suas necessidades.

Jéssica Rodrigues

Acolher é reconhecer que cada pessoa tem seu tempo

Ao levar essas iniciativas ao encontro, a Raposo Acessibilidade ampliou a discussão sobre o papel do acolhimento em ambientes culturais. A proposta não é substituir recursos técnicos por gestos de gentileza, mas reconhecer que conhecimento profissional e atenção humana precisam caminhar juntos.

Para Wagner Nascimento, o conceito “Acessível para Todos” expressa justamente essa compreensão de que pessoas com diferentes características podem precisar de atenção em momentos distintos.

“Todo mundo merece um pouco de carinho, atenção e um espaço para se cuidar”, resume.

Em uma programação marcada pela diversidade cultural, a Sala Zola e a Escola do Brincar demonstram que a inclusão também significa criar condições para descansar, brincar, conviver e participar sem que as diferenças se transformem em impedimentos.

Wagner Nascimento

Sobre a Raposo Acessibilidade

A Raposo Acessibilidade atua com consultoria, planejamento e execução de ações de acessibilidade em eventos e projetos culturais. Seu trabalho reúne recursos de comunicação acessível, assistência ao público e estratégias de acolhimento, com a proposta “Acessível para Todos”.

Contato para a imprensa:
Paula Rocha — Assessora de Comunicação da Raposo Acessibilidade
raposoacessibilidade@gmail.com

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