Empresário é citado como principal articulador do “Projeto DV”, que contratava influenciadores e cooptava jornalistas para defender o Banco Master
O empresário Thiago Miranda Silva foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal, nesta 5ª feira (9.jul.2026), na 10ª fase da operação Compliance Zero. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Miranda é publicitário, dono da Agência MiThi e teve ligação societária e executiva com o Grupo Léo Dias. Ele já atuou como CEO do grupo de comunicação e foi apontado pela investigação como personagem central de um projeto de contratação de influenciadores e jornalistas para atuar em favor do Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro.
A operação da PF visa a apurar eventuais crimes que teriam sido praticados por Thiago Miranda em coautoria com Daniel Vorcaro e seus aliados. Na decisão, Mendonça afirma que o publicitário “até o momento, não era tratado na condição de investigado”, mas que novas evidências indicaram a prática de crimes até então inexplorados.
Um dos casos citados na decisão envolve a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo a PF, Miranda reuniu informações pessoais, profissionais, patrimoniais e financeiras da repórter, em uma tentativa de encontrar dados que pudessem ser usados para constrangê-la ou expô-la publicamente.
“PROJETO DV”
O “Projeto DV” é apontado pela PF como uma iniciativa para contratar influenciadores e jornalistas com o objetivo de publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e questionar a atuação do Banco Central na liquidação da instituição. A PF afirma que Miranda foi o principal articulador do projeto, por meio da contratação da agência Unlimited.
A decisão diz que houve propostas a influenciadores com ofertas de pagamento de até R$ 2 milhões para publicação de conteúdos favoráveis ao Master. As minutas contratuais estipulavam cláusulas de confidencialidade e planejamento de coordenação estratégica das postagens em redes sociais.
A decisão também diz que o publicitário confirmou que os pagamentos a influenciadores eram feitos por Miranda, com parte dos recursos recebidos na compra de parte do portal Léo Dias.
Em depoimento prestado à PF em 12 de maio de 2026, Miranda confirmou um plano com influenciadores digitais para defender o Master, mas disse que sua atuação se limitava a fechar contratos e repassar conteúdos a serem comentados e publicados.
BANCO CENTRAL E ITAÚ
A frente de influenciadores era uma das partes centrais da estratégia para criticar a atuação do BC na liquidação do Master. A ideia, de acordo com a investigação, era usar perfis com grande alcance nas redes sociais para publicar conteúdos favoráveis ao banco, questionar órgãos reguladores e influenciar a percepção pública sobre o caso.
Segundo a decisão de Mendonça, a PF identificou atividades como derrubada de conteúdos jornalísticos e perfis em redes sociais, inserção coordenada de comentários positivos em favor dos negócios do Master.
A decisão também menciona uma outra frente da apuração: o levantamento de informações sobre pessoas do mercado financeiro. Um dos casos envolve Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, e sua mulher Camila Moretti Maluhy.
O arquivo citado pela investigação tinha o título “Família Maluhy Relatório sobre Execução Fiscal – Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy” e continha aviso de que se tratava de “informações confidenciais”.
OUTRO LADO
Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou a prática de qualquer ilegalidade e afirmou que ele não participou de atos destinados a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.
Os advogados disseram que a existência de investigação em curso não autoriza juízo antecipado de culpa e que devem ser preservadas as garantias do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.
A defesa também afirmou que Miranda está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e demonstrar a regularidade de sua conduta. Leia a íntegra da nota da defesa (PDF — 144 kB).
O Poder360 procurou a agência Unlimited por e-mail, para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da operação da PF. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.



