Fundada em 1981 com o nome de Banco Renner, a instituição passou por reestruturação em 2020 para atuar como banco digital
A Polícia Federal realizou nesta 3ª feira (23.jun.2026) a operação Miragem, que visa ao Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, dono da emissora Record e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A corporação investiga a existência de um esquema de fraude conduzido pela gestão da instituição.
Fundado em 1981 com o nome de Banco Renner, o Digimais passou por uma reestruturação em 2020 para atuar como banco digital. Foi nesse ano que adotou o nome atual e foi adquirido pelo Grupo Record.
Segundo a PF, as investigações são “subsidiadas por relatórios” do Banco Central, que apontam que os investigados “teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares”.
O BTG Pactual anunciou em 8 de abril que havia fechado um acordo de intenção de compra com o Digimais.
Em comunicado, o BTG afirmou que o objetivo era estabelecer um valor de referência para a alienação da totalidade das ações do Digimais, “em um processo competitivo a ser oportunamente lançado”.
Para a conclusão do processo, seria necessária a aprovação regulatória do BC e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, entre outros fatores.
Em janeiro de 2025, o empresário Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar a aquisição do Digimais, em troca de uma injeção de R$ 800 milhões no banco. O negócio, no entanto, foi cancelado.
Apesar de ter assumido o controle total do Digimais em 2020, Edir Macedo era acionista minoritário do banco desde 2009.
De acordo com o site da instituição, o banco tem mais de 145 mil clientes e mais de 150 colaboradores. Na última demonstração financeira divulgada, em 31 de dezembro de 2025, o Digimais disse ter tido um lucro líquido de R$ 31 milhões.
“O Banco Digimais mantém sua política de liquidez com um caixa de 2,7 vezes seu patrimônio líquido, o que demonstra liquidez robusta e totalmente alocada em títulos públicos federais, com liquidez diária”, lê-se no documento (íntegra – PDF – 2 MB).
Em maio, o Banco Digimais divulgou uma nota negando reportagens que apontavam supostas irregularidades contábeis e uma manobra para ocultar prejuízos. A instituição classificou as acusações como “completamente inverídicas” e afirmou que as publicações buscavam prejudicar sua imagem. O comunicado segue sendo exibido em uma janela pop-up na página inicial do banco.

Na nota, o Digimais declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e disse operar com “segurança e integridade”.
O Poder360 tentou contato com o Banco Digimais, mas não conseguiu localizar telefone ou endereço eletrônico válido para solicitar posicionamento. Foi realizado um pedido de posicionamento via Ouvidoria. Este jornal digital seguirá tentando contato e atualizará este texto caso receba alguma manifestação.



