PT erra ao ficar refém de política de classe média, diz Quaquá

Vice-presidente da sigla afirma que o partido deu “passos para trás” na construção de alianças com o centro ao fazer “discurso muito esquerdista” e voltado aos costumes

O vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, fez uma autocrítica na 4ª feira (5.ago.2026) sobre a condução da cúpula petista ao não consolidar alianças com partidos de centro. Nesta eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá o maior número de partidos de esquerda e centro-esquerda em sua coligação já no 1º turno: PT, PC do B, PV, PSB, PDT, Psol e Rede. Um fato-novo desde 1989.

“A direção tem errado nessa situação e sendo refém de uma política de classe média. Temos que voltar a ter uma política ampla, ganhar o centro, trazer o centro para um projeto de desenvolvimento nacional”, declarou em entrevista ao Poder360.

Segundo Quaquá, o PT regrediu na construção de alianças e na relação política. “Demos passos para trás na política de alianças, na relação política no país, fazendo um discurso muito esquerdista e um discurso muito voltado para os costumes”, disse.

O dirigente afirmou ser necessário retomar a forma de se fazer política adotada por caciques do partido. “Com o impeachment de Dilma [Rousseff, ex-presidente] e com a prisão injusta, irregular, ilegal e desumana do presidente Lula, o PT acabou abandonando uma política que deu certo, criada lá atrás por José Dirceu [ex-ministro da Casa Civil] e pela antiga direção do PT, que era uma política de ampliação e de consolidar alianças ao centro e de relação responsável”, declarou.

Assista à íntegra da entrevista (32min55s):

Quaquá, que coordena a campanha de Lula no Rio de Janeiro, defendeu que a tentativa de reeleição do presidente seja centrada em propostas de desenvolvimento econômico e distribuição de renda.

Segundo ele, o PT deve evitar concentrar a campanha em acusações contra adversários ou em temas relacionados a investigações policiais.

“O debate que nós temos que fazer é de desenvolvimento econômico: como esse Brasil, nesse mundo multipolarizado, vai virar uma potência econômica e como vai distribuir renda e riqueza para melhorar a vida do povo”, disse.

De acordo com ele, a sigla se afastou de uma estratégia que havia ajudado nas vitórias anteriores de Lula, baseada no diálogo com setores empresariais.

DEFESA

O prefeito de Maricá tinha uma reunião marcada com o ministro da Defesa, José Múcio, na 4ª feira (5.ago), em Brasília, para tratar de um hub de construção de satélites com chineses e coreanos. O encontro foi cancelado por causa de problemas técnicos no avião que Quaquá utilizaria.

Ao falar sobre Múcio, fez elogios. “É um grande ministro da Defesa. Fico bem feliz que o presidente Lula, no lançamento da campanha, em São Paulo, tenha colocado a indústria de Defesa como uma das prioridades do seu 4º mandato”, disse.

Quaquá também busca expandir as operações do aeroporto de Maricá, tornando-o internacional. Ele também quer que haja um hub com a cidade de Parnaíba (PI) e afirmou ter conversado com o governador piauiense, Rafael Fonteles (PT), sobre o tema.


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