PODER & REPRESENTAÇÃO · ELEIÇÕES 2026 No rastro dos escândalos, cresce a aposta em candidatos que não pertencem ao sistema

Paulo Sá, 40 anos, emerge no Distrito Federal como um nome que transita entre empresários, professores e a periferia sem carregar sigla marcada nem escândalo, um fenômeno raro em um cenário dominado pela polarização.

Enquanto o Congresso Nacional voltava a ser impactado por mais uma onda de delações e CPIs, um empresário de 40 anos, casado e pai de um filho, começava a lotar auditórios em Ceilândia, Lago Sul e no Plano Piloto com o mesmo discurso, e nos três locais a plateia aplaudia em pé.

Enquanto o Congresso Nacional voltava a ser impactado por mais uma onda de delações e CPIs, um empresário de 40 anos, casado e pai de um filho, começava a lotar auditórios em Ceilândia, Lago Sul e no Plano Piloto com o mesmo discurso, e nos três locais a plateia aplaudia em pé.

O nome é Paulo Sá. A faixa, ainda informal, diz “DF Sem Privilégios”. O partido é o Avante. O que chama a atenção de analistas e adversários é menos a sigla e mais a trajetória: um perfil que, em tese, não conseguiria dialogar ao mesmo tempo com o empresário do Setor Empresarial Norte e com a mãe solo de Samambaia, mas que, na prática, tem conseguido.

“O eleitor não quer mais escolher entre o escândalo da direita e o escândalo da esquerda. Ele quer alguém que trabalhe.”
PAULO SÁ, EM EVENTO NO GAMA, MARÇO DE 2026

A tática é deliberada. Sá percorreu, nos últimos meses, desde câmaras de comércio até associações de pais e mestres em escolas públicas do entorno. Em cada parada, o roteiro se repete: dados concretos sobre o problema local, proposta de política de Estado, e não de governo, e nenhuma menção nominal a adversários.

“Quando você nomeia o inimigo, você entra no jogo dele”, afirma. “Prefiro mostrar o que funciona.” A postura é calculada para evitar uma armadilha conhecida: em um ambiente de polarização extrema, tomar partido de um dos lados pode significar perder metade do eleitorado antes mesmo de começar.

Um cientista político da Universidade de Brasília observa que o fenômeno não é isolado. “A cada ciclo de escândalos, um segmento do eleitorado, geralmente o mais escolarizado e mais jovem, passa a buscar ativamente um terceiro caminho. A novidade é encontrar alguém que consiga, ao mesmo tempo, falar de desburocratização para o empresário e de educação básica para a periferia sem soar contraditório.”

Sá cursou educação física e direito, com especializações em gestão de negócios, de pessoas e pública. Construiu um histórico relevante de negociações, mediações e articulações no mercado nacional e internacional, dentro da iniciativa privada. Não é um outsider sem trânsito institucional, é alguém que conhece os mecanismos por dentro sem ter sido contaminado por eles, ao menos até agora.

A principal aposta da pré-campanha é justamente esse paradoxo: ser parte do sistema o suficiente para mudá-lo. “Renovação sem competência técnica é apenas troca de sobrenome no cargo”, resume. O slogan funciona como tese: onde há privilégio, há custo, e quem paga é o cidadão comum.

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