Ação mira rede que movimentou R$ 10 bilhões e tem Stella Stefanie, também sancionada pelos EUA, entre os detidos
A Polícia Federal prendeu 7 pessoas nesta 6ª feira (3.jul.2026) na operação Exchange, deflagrada para desarticular uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Segundo o g1, entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos 2 dias antes. Ao todo, a operação cumpriu 7 dos 11 mandados de prisão expedidos.
Todos os presos serão encaminhados à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo de sanções dos Estados Unidos e apontado pela investigação como chefe da organização, está foragido.
A operação Exchange apura um esquema que movimentou mais de R$ 10 bilhões, segundo estimativa preliminar da PF. De acordo com a corporação, os investigados usavam transferências ilícitas de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas para movimentar os recursos.
SANÇÕES DOS EUA
Na 4ª feira (1º.jul.2026), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Victor Shimada, Stella Stefanie e 3 empresas — duas com sede no Brasil e uma em Portugal. Segundo o governo norte-americano, todos integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), investigada na Flórida.
As sanções bloqueiam os bens dos alvos nos Estados Unidos. Empresas controladas, direta ou indiretamente, em 50% ou mais pelos sancionados também ficam bloqueadas.
O governo de Donald Trump classificou Victor Shimada como “elo-chave entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Segundo o Tesouro norte-americano, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) obtidos com o tráfico em diversas cidades dos Estados Unidos por meio de criptomoedas transferidas ao Brasil em nome da facção.
Segundo o governo norte-americano, Stella é parente de Shimada. Ela teria atuado como secretária dele e como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, prestando suporte logístico às operações da rede. Ela não tem antecedentes criminais nem responde a processos no Brasil.
Essas são as primeiras sanções econômicas do governo Trump contra alvos com suposta ligação com o PCC desde que a facção e o CV (Comando Vermelho) foram classificados pelos Estados Unidos como organizações “terroristas” internacionais, em junho de 2026. Outros 6 investigados, apontados como integrantes da mesma rede, foram presos na Flórida em janeiro deste ano, segundo o Tesouro norte-americano.
INVESTIGAÇÕES NO BRASIL
No Brasil, Victor Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. e da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., empresa sediada em Portugal. Ambas foram alvo das sanções dos Estados Unidos.
Ele também é investigado no caso VaideBet, que apura o suposto desvio de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas.
Segundo relatório da Polícia Civil de São Paulo, a Victory Trading manteve intensa movimentação financeira com a Wave Intermediações e Tecnologias Ltda. e a UJ Football Talent. A UJ foi citada na delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzzbach como empresa supostamente ligada a Danilo Lima de Oliveira, o “Tripa”, apontado pelo delator como integrante do PCC. O próprio Gritzzbach também aparece em análises financeiras relacionadas à Wave.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público e aceita pela Justiça descreve uma cadeia financeira pela qual os recursos teriam passado depois de saírem da conta do Corinthians: Corinthians, Rede Social Media Design, Neoway, Wave e UJ Football Talent. Shimada foi denunciado por lavagem de dinheiro por supostamente atuar como operador financeiro de uma empresa usada para ocultar e dissimular a origem dos recursos.
A investigação, no entanto, não afirma que Shimada integre o PCC. Os autos sustentam que ele estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em investigações sobre a facção.
O advogado de Shimada, Yuri Cruz, informou em nota que tomou conhecimento das sanções na 4ª feira (1º.jul.2026).“Até o presente momento, não tivemos acesso aos documentos oficiais e aos elementos que fundamentaram a medida, o que impede qualquer manifestação específica sobre seu conteúdo. Não obstante, Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro.”
Cruz acrescentou: “A situação será analisada com a cautela e a profundidade que o caso exige, depois do efetivo acesso aos documentos que embasaram a medida e em conjunto com os profissionais que atuarão perante as autoridades competentes. Por ora, qualquer conclusão seria precipitada. A defesa reafirma sua absoluta confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos pelos meios legais adequados.”



