Petro contesta apuração e não reconhece vitória de De la Espriella

“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina”, disse o colombiano

O atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Colômbia Humana, esquerda), usou seu perfil no X no domingo (21.jun.2026) para declarar que nenhum resultado da eleição deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio dos votos, que começa nesta 2ª feira (22.jun).

“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir”, escreveu Petro.

As urnas fecharam no domingo às 18h (horário de Brasília). A pré-contagem começou logo depois e serve para informar rapidamente a tendência do resultado, mas não substitui o escrutínio oficial.

Abelardo de la Espriella (Defensores de la Patria, direita) venceu a contagem preliminar do 2º turno com 49,66% dos votos. Superou o senador Iván Cepeda (Pacto Histórico, esquerda), apoiado por Petro, que levou 48,70%.

ESCRUTÍNIO DOS VOTOS

A Colômbia realizará agora um processo de recontagem oficial dos votos, chamado de escrutínio. Por lei, ele começa no dia seguinte à eleição e é realizado por comissões formadas por juízes, tabeliães e outros funcionários eleitorais.

Os grupos analisam os documentos preenchidos nas seções, verificam inconsistências e avaliam contestações apresentadas pelas campanhas. Em determinados casos, podem determinar nova conferência dos votos.

Os números finais podem apresentar pequenas diferenças em relação à pré-contagem. No 1º turno, a variação foi inferior a 0,1%.

ABELARDO DE LA ESPRIELLA

Nascido em Bogotá, De la Espriella é advogado, tem 47 anos e nunca havia disputado um cargo eletivo.

Conhecido como “El Tigre”, integra o Defensores de la Patria e construiu sua campanha com referências a líderes de direita, como Donald Trump (Partido Republicano), dos Estados Unidos, Javier Milei (La Libertad Avanza), da Argentina, e Nayib Bukele (Nuevas Ideas), de El Salvador.

Trump havia declarado apoio público ao candidato antes do 2º turno.

Entre as propostas apresentadas por De la Espriella estão:

  • reformular a direção e os órgãos de comando das instituições públicas;
  • combater o tráfico de drogas, a corrupção e a má gestão;
  • desmantelar grupos armados e estruturas paralelas de poder;
  • reformar o sistema de licitações públicas;
  • reduzir em até 25% o tamanho do Estado;
  • diminuir tributos, custos de energia e regras para o setor produtivo.

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