A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DRCC/Decor), deflagrou na manhã de quintafeira (24/9) a Operação Perseu
A ação teve o objetivo de desarticular organização criminosa responsável por plataforma clandestina de consulta de dados pessoais. Mais de 80 policiais civis cumpriram 13 mandados de prisão temporária e mandados de busca e apreensão em seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco. Uma fonte para as fraudes
A plataforma cobrava mensalidade e permitia consultar, a partir de um CPF ou CNPJ, o nome, a filiação, o endereço, os documentos, os vínculos e até os processos judiciais de qualquer cidadão.
As bases somavam centenas de milhões de registros e vinham de vazamentos e da exploração de vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.
O programa funcionava como uma verdadeira fonte para as fraudes. Estelionatários de todo o país iam até ela para matar a sede de informações e saíam dali com o roteiro pronto do golpe. O caso mais emblemático é o do falso advogado: munido de dados reais do processo da vítima, o criminoso se passa pelo defensor para exigir pagamentos.
Os lucros eram ocultados por meio de empresa de fachada, contas-bolsão e movimentação triangulada de criptoativos entre os líderes do grupo.
A organização já finalizava uma segunda plataforma do mesmo tipo. A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos até o limite de R$ 7 milhões.
A medida alcança imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação. Também foi determinada a retirada do site do ar.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato. Somadas, as penas máximas ultrapassam 36 anos de reclusão.
Na mitologia grega, Perseu derrotou a Medusa cortando-lhe a cabeça, de onde brotavam dezenas de serpentes.
A operação leva o nome do herói porque ataca o centro de uma estrutura de onde se ramificavam incontáveis golpes: cortada a cabeça, as serpentes perdem a força



