O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) denunciou nesta 4ª feira (10.jun.2026) 6 pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) tem como alvos a influenciadora digital Deolane Bezerra e Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital), entre outros.
A denúncia é resultado da Operação Vértix, que investigou o uso de uma transportadora como fachada para ocultar valores da facção criminosa. Também foram denunciados Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, além Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, filhos de Alejandro. Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema, completa a lista. Deolane e Everton foram presos durante a investigação.
A apuração começou depois da apreensão de bilhetes em 2019 em uma penitenciária de Presidente Venceslau, no interior paulista. Segundo os investigadores, os documentos continham orientações atribuídas ao PCC e faziam referência a uma “mulher da transportadora”, o que levou a polícia a identificar uma empresa de transporte que teria sido criada para movimentar e ocultar recursos da organização criminosa.
De acordo com a investigação, a transportadora, registrada em nome de um casal, movimentou mais de R$ 20 milhões em valores considerados incompatíveis com a atividade declarada. O inquérito sustenta que Marcola comandava as decisões estratégicas da empresa de dentro do sistema prisional, enquanto Alejandro administrava as operações. Os investigadores afirmam ainda que Paloma Sanches intermediava orientações do pai e controlava parte da distribuição dos recursos. Ela é considerada foragida desde maio, quando não foi localizada em uma tentativa de prisão na Espanha.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirma que Deolane mantinha relação próxima com familiares de Marcola e teria disponibilizado contas bancárias utilizadas para movimentação financeira do grupo. Segundo o Ministério Público, a influenciadora também abriu 35 empresas em um mesmo endereço residencial. Os investigadores sinalizam que essas companhias seriam fictícias e ajudariam a dificultar o rastreamento do dinheiro.
A denúncia ainda será analisada pela Justiça, que decidirá se aceita ou não as acusações. As defesas dos investigados negam envolvimento em atividades criminosas. Bruno Ferullo, advogado de Marcola, já declarou que seu cliente não comanda o PCC de dentro da prisão. Já Daniele Bezerra, irmã e advogada de Deolane, afirmou anteriormente que a investigação é baseada em “ilações, narrativas e perseguições”.
Eis a íntegra da defesa de Deolane enviada ao Poder360:
“A defesa de Deolane Bezerra, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha, Rogério Nunes e Luiz Ricardo Imparato, lamenta a divulgação antecipada da denúncia na imprensa. A defesa ainda não teve acesso a acusação e tão logo for citada, apresentará a devida resposta, reafirmando que Deolane não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo.”
Eis a íntegra da defesa de Marcola enviada ao Poder360:
“Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, vem a público informar que o Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou, na presente data, denúncia em desfavor de seus constituintes no contexto da denominada Operação Vérnix, atribuindo-lhes, em tese, a prática dos delitos previstos no artigo 2.º da Lei n.º 12.850/2013 (organização criminosa) e no artigo 1.º da Lei n.º 9.613/1998 (lavagem de capitais).
“A Defesa reitera que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho também refutam integralmente as imputações formuladas.
“A Defesa destaca que o mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude. Quanto aos elementos de natureza patrimonial e financeira mencionados na denúncia, a Defesa esclarece que eles serão devidamente contextualizados no decorrer da instrução processual, oportunidade em que serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas pela acusação.
“A Defesa, diante da acusação apresentada, adotará todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações atribuídas aos seus constituintes, confiando que, ao final da regular instrução processual, a verdade dos fatos será devidamente reconhecida pelo Poder Judiciário.”




