Novo modelo tem 2,8 trilhões de parâmetros, reforça disputa tecnológica global e provoca queda nas ações de concorrentes
A startup chinesa Moonshot AI lançou nesta 6ª feira (17.jul.2026) o Kimi K3, seu novo modelo de inteligência artificial, apresentado pela empresa como o maior já desenvolvido na China.
O modelo tem 2,8 trilhões de parâmetros, medida que indica o tamanho de sua rede neural. O lançamento reforça a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos no campo da IA.
O Kimi K3 ainda fica atrás do Claude Fable 5, da Anthropic, e do GPT 5.6 Sol, da OpenAI, em desempenho geral, segundo a própria Moonshot AI. No entanto, a empresa afirma que o modelo superou todos os demais sistemas testados e venceu o Claude Opus 4.8 e o GPT 5.5, versões imediatamente abaixo dos sistemas de ponta da Anthropic e da OpenAI, em benchmarks de programação e de agentes gerais.
O lançamento teve repercussão nas ações de concorrentes chinesas. A Z.ai, que divulgou um novo modelo em junho, viu suas ações despencarem 28% nesta 6ª feira. A MiniMax Group, outra empresa chinesa do setor, registrou queda de 16%.
Moonshot AI e o contexto da corrida pela IA
Fundada em 2023 e sediada em Pequim, a Moonshot AI é uma das principais desenvolvedoras de modelos de IA da China. Em maio deste ano, a empresa captou US$ 2 bilhões em rodada de investimentos que avaliou a companhia em mais de US$ 20 bilhões, conforme reportou a Bloomberg. Entre os investidores estão a Alibaba, desenvolvedora da série de modelos Qwen, e a Tencent.
Analistas do Bank of America avaliaram positivamente o desempenho do Kimi K3 diante das restrições de hardware e capacidade computacional enfrentadas por empresas chinesas. “Apesar das persistentes restrições de hardware e capacidade de computação na China, o K3 demonstra que o escalonamento de pré-treinamento, combinado com inovação arquitetural, ainda pode gerar ganhos significativos para os modelos chineses de ponta”, afirmaram os analistas em nota liderada por Alex Liu. Liu também afirmou que “o K3 eleva o teto de capacidade dos modelos de IA chineses, transferindo o ônus da prova para outros laboratórios de IA independentes”.
Modelos de IA chineses já ganham espaço entre empresas ocidentais, que os adotam por oferecerem desempenho crescente a custos menores do que os sistemas norte-americanos mais avançados. O Congresso dos Estados Unidos analisa formas de restringir essa adoção por empresas norte-americanas.
A Alibaba também foi afetada pelo novo cenário competitivo. Apesar de ter visto suas ações subirem no início da semana com a notícia de parceria com a Apple na China, os papéis da empresa recuaram 4% nesta 6ª feira (17.jul.2026). Na avaliação de Liu, “a narrativa de ‘líder em código aberto’ do Qwen da Alibaba pode enfrentar alguns testes”, ainda que a companhia siga se beneficiando do crescimento geral do treinamento e uso de IA em seu serviço de nuvem, dado o ambiente de alta demanda computacional.


