Mineradora se compromete a passar R$ 217 mi em auxílios

Samarco aceitou a metodologia de cálculo do MPF e pagará diferença em valores de auxílio emergencial a povos indígenas

Depois do parecer técnico do MPF (Ministério Público Federal), a mineradora Samarco se comprometeu a repassar aproximadamente R$ 217,6 milhões adicionais a título de correção nos pagamentos de auxílios financeiros a povos e comunidades tradicionais atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). A medida beneficia milhares de famílias que vinham recebendo valores abaixo do devido, conforme identificado por perícia técnica do órgão.

A correção é fruto de um questionamento oficial feito pelo Grupo de Trabalho Rio Doce, do MPF, após denúncias de comunidades de garimpeiros. O procurador da República, Eduardo Henrique de Almeida Aguiar, responsável pelo caso, solicitou análise do CNP (Centro Nacional de Perícia) da Sppea (Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise), do MPF, que confirmou que os cálculos utilizados pela empresa para o pagamento do AFE (Auxílio Financeiro Emergencial) e do ASE (Auxílio de Subsistência Emergencial) estavam incorretos.

Em documento enviado ao MPF em 17 de abril de 2026, a Samarco se comprometeu a adotar a metodologia de cálculo indicada no parecer técnico do MPF para o cálculo do AFE/ASE retroativo a todos os núcleos familiares elegíveis.

O montante de R$ 217,6 milhões refere-se exclusivamente à diferença entre o que já foi pago e o valor que as comunidades têm direito de receber, segundo os critérios da perícia. Esse ajuste será quitado com a terceira parcela do auxílio retroativo.

Impacto prático

A perícia do MPF apontou que o cálculo correto deve considerar o valor de um salário-mínimo mensal, acrescido de 20% para cada dependente. Além disso, os valores devem ser atualizados pela inflação (IPCA) até a data em que a comunidade foi oficialmente reconhecida e, a partir daí, corrigidos pela taxa Selic até o dia do pagamento efetivo.

Ao todo, a correção alcança 6.928 titulares e 5.986 dependentes de diversas regiões. Entre os grupos que receberão os valores ajustados estão os garimpeiros, R$ 37,2 milhões; os faiscadores, R$ 40,7 milhões; Sapê do Norte, R$ 135,4 milhões; além das comunidades de Santa Efigênia, Povoação e o povo Puri, que também terão seus valores complementados.

Após o pagamento da 3ª parcela do auxílio retroativo –cerca de R$ 448 milhões– acrescido do ajuste de R$ 217,6 milhões, as comunidades atingidas pelo rompimento da barragem terão recebido nas 3 parcelas mais o ajuste de R$ 1,4 bilhão nos 2 auxílios.

O MPF seguirá acompanhando o cronograma de repasses, bem como a execução de todo o Novo Acordo do Rio Doce, para garantir que a reparação chegue integralmente aos atingidos.


Este texto foi publicado originalmente pelo Ministério Público Federal, em 4 de maio de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, foi adaptado para o padrão do Poder360.


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