Executivos da empresa afirmam que a companhia segue pressionada pela precificação do querosene de aviação
O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, afirmou a jornalistas, nesta 3ª feira (4.ago.2026), que as medidas adotadas pelo governo federal não foram suficientes para conter o preço do QAV (querosene de aviação). Segundo o executivo, diferentemente do que ocorreu com o diesel e a gasolina, as regras de precificação do combustível usado pelas companhias aéreas não foram alteradas durante a alta do barril de petróleo, provocada pela guerra no Irã.
“As regras de precificação do QAV no Brasil não mudaram em função da crise. A gente continuou vendo o preço internacional sendo repassado integralmente para as companhias brasileiras. Isso fez com que a gente continuasse muito pressionado”, declarou Cadier.
O QAV é o principal custo das companhias aéreas e tem impacto direto nas margens das empresas e na formação do preço das passagens. Segundo a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), o combustível chegou a representar 45% dos custos operacionais do setor depois das altas recentes.
No caso da Latam, as despesas com combustível chegaram a US$ 1,7 bilhão no 2º trimestre de 2026. Os custos relacionados ao insumo subiram 93% em relação ao mesmo período de 2025. A companhia afirma que conseguiu compensar parte dessa pressão com o aumento das receitas. Registrou lucro de US$ 125 milhões no período.
A elevação do QAV está relacionada à cotação internacional da commodity e à variação do preço do petróleo. Depois do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o preço médio cobrado por produtores e importadores no Brasil quase dobrou. Subiu 97,6%, de R$ 3,36 por litro para R$ 6,64 do fim de fevereiro à semana de 18 a 24 de maio.
Para tentar reduzir a pressão sobre o setor, o governo zerou em abril as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre o QAV. A desoneração, inicialmente válida até 31 de maio, foi prorrogada até 31 de julho de 2026. A Petrobras também anunciou, em 1º de junho, uma redução de 14,2% no combustível vendido por suas refinarias, mas isso após ter elevado o preço em mais de 54,6% em abril. No domingo (2.ago), a estatal anunciou novo aumento de 1,9%.
Ricardo Bottas, CFO da Latam Airlines, afirmou que as iniciativas do governo foram “positivas”, mas não tiveram efeito relevante sobre os custos das empresas.
“Acho que aconteceram decisões que foram positivas, de desoneração tributária etc., mas que elas não tiveram impacto material em relação à redução do custo para a indústria”, declarou.
LINHA DE FINANCIAMENTO DO FNAC
Em 30 de julho, a Azul, a Abaeté, a Gol e a Latam foram autorizadas a acessar uma linha de crédito de R$ 8 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Financiada com recursos do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil), a linha é destinada ao capital de giro e poderá ser usada para pagar despesas como combustível, salários e manutenção.
Os empréstimos terão prazo de até 60 meses, carência de até 12 meses para o pagamento do principal e juros de 4% ao ano. Os recursos poderão ser contratados até dezembro de 2026.
A Latam ainda não decidiu se contratará o financiamento. Cadier afirmou que a companhia está nas discussões finais sobre a operação e disse que o dinheiro não será necessariamente destinado a novos investimentos, mas ao reforço da liquidez durante a crise do combustível. “Essa linha de capital de giro, ela chega para tentar ajudar”, afirmou.



