Em um contexto de tensões externas, presidente deve cobrar compromisso dos países ricos com os emergentes e conversar com big techs
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca no domingo (14.jun.2026) para participar da cúpula do G7, na França. No encontro, vai reforçar a defesa do multilateralismo e fazer críticas ao avanço de medidas protecionistas adotadas por países desenvolvidos.
A viagem se dá no contexto do aumento das tensões comerciais internacionais, como as tarifas de 25% aos produtos brasileiros propostas pelos Estados Unidos. Apesar disso, Lula não deve tratar diretamente dos conflitos com o governo norte-americano: a estratégia é deixar claro o posicionamento do Brasil, mas sem causar mais tensão na relação.
O petista fugirá do tom que adota em discursos domésticos sobre o tema. Em vez de mencionar diretamente disputas comerciais específicas e citar o presidente Donald Trump (Partido Republicano), Lula deve optar por uma abordagem diplomática, focada na defesa da cooperação internacional e da reforma da governança global.
O entendimento é de que o contexto interno permite que o tema seja tratado como uma disputa política, o que não funciona em um discurso para outras nações.
A narrativa que Lula apresenta nos discursos no Brasil se torna mais relevante em ano eleitoral, principalmente quando a aproximação com Trump e o diálogo com o governo norte-americano são explorados pela família Bolsonaro como trunfo político.
Não há expectativa de encontro com Trump na França.
CRESCIMENTO ECONÔMICO
No G7, Lula participará de debates sobre crescimento econômico equilibrado. Nesse encontro, o presidente deve afirmar que há um modelo de crescimento excludente, que coloca os países em uma situação de vulnerabilidade, e o Brasil considera como o foco do desequilíbrio internacional.
O presidente também participará de sessões sobre parcerias internacionais e desenvolvimento global. A expectativa é de que os integrantes do grupo afirmem que é inviável seguir com a transferência de recursos para países emergentes e que deve haver um maior investimento de capital privado nessas nações.
Em contraposição a essa visão, Lula deve cobrar o compromisso dos países ricos com o financiamento de iniciativas voltadas ao combate à pobreza e à promoção do desenvolvimento desses países.
REUNIÕES
Além das atividades da cúpula, Lula deve realizar reuniões bilaterais. França, Japão e outros países manifestaram interesse em encontros com o presidente brasileiro, mas a agenda ainda está em fase de negociação.
Com o Japão, um dos assuntos que deve ser abordado é a possibilidade de um acordo comercial com o Mercosul. Há expectativa de que o início das tratativas seja oficialmente divulgada após a reunião bilateral.
Na 4ª feira (17.jun), a programação inclui ainda um almoço com representantes do setor de tecnologia para discutir oportunidades e desafios relacionados à inteligência artificial. A pauta ainda não está definida, mas o presidente deve defender a soberania digital –como iniciativas como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital.
Até o momento, também não há previsão de encontro entre Lula e representantes da União Europeia, como a presidente do bloco, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para tratar do veto às carnes brasileiras.
Apesar disso, a possibilidade de paralelas durante a passagem do presidente pela França não são descartadas.



