Presidente afirma em Hannover que país tem terra e tecnologia para liderar transição energética global sem abrir mão do petróleo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, na 2ª feira (28.abr.2025), que o Brasil tem condições de se tornar uma espécie de “Arábia Saudita dos biocombustíveis”. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, em Hannover, na abertura da Feira Industrial da cidade. O Brasil é o país parceiro do evento.
Lula usou testes realizados com biodiesel brasileiro num caminhão da Daimler Truck para fazer seu argumento. Segundo o presidente, o combustível renovável nacional pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ em comparação ao combustível fóssil. “Vamos desmistificar o preconceito contra o biocombustível produzido pelo Brasil”, disse ele.
Neste domingo (19.abr), o presidente já tinha pedido que a UE não crie barreiras ao biocombustível brasileiro..
Nesta 2ª fala sobre o tema, falou sobre críticas de que a produção de biocombustíveis competiria com alimentos. Segundo ele, o Brasil dispõe de 40 milhões de hectares de terras degradadas a serem recuperadas e aptas ao cultivo de oleaginosas, sem necessidade de desmatar novas áreas.
Lula declarou que o Brasil é também exportador de petróleo, mas investe em alternativas há décadas. Citou a criação do Proálcool, nos anos 1970, e o avanço do setor de biocombustíveis no século 21 como evidências da trajetória nacional.
Segundo ele, 89% da matriz elétrica brasileira já é renovável, e 53% do total de energia, incluindo combustíveis, vem de fontes renováveis. O número está acima da meta de 40% da União Europeia prevista para 2050.
“A gente resolveu desmistificar o preconceito que se tenta colocar no combustível renovável produzido pelo Brasil. (…) O dado concreto é que nós temos que defender as alternativas que o mundo está precisando que sejam encontradas, que é a descarbonização. Por isso sou defensor intransigente dos biocombustíveis”, declarou.
Merz afirmou que sua visita ao Brasil para a COP30, em Belém, abriu seus olhos para o potencial dos biocombustíveis e que o governo alemão não deve apostar em uma única tecnologia para descarbonização.
“Temos mais de 1 bilhão de carros a combustão nas estradas do mundo, e isso não vai ser resolvido só com o carro elétrico”, disse o chanceler.
LULA EM HANNOVER
Ainda na coletiva, Lula também criticou guerras em curso e pediu reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Declarou ser contra qualquer intervenção militar em Cuba e reiterou apoio à participação da África do Sul no G20.
O encontro resultou em acordos bilaterais nas áreas de defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, bioeconomia e eficiência energética. A Alemanha anunciou uma contribuição de 500 milhões de euros ao Fundo Clima. A entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia está prevista para 1º de maio e é um dos ativos da viagem.
Hannover integra uma agenda europeia de 5 dias. Lula viaja com 14 ministros e passou por Barcelona, onde cumpriu a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, antes de chegar à Alemanha. Na 3ª feira (21.abr.2026), o presidente segue para Lisboa.



