Kassab diz que Lula vence Flávio, mas perde para Caiado

Presidente do PSD afirma que partido resistiu a abordagens do petismo e do bolsonarismo para lançar chapa própria

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que não vê o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desistindo da disputa pela Presidência da República, apesar dos problemas internos enfrentados por sua candidatura. Em entrevista aos jornalistas Lauriberto Pompeu e Victoria Azevedo, do jornal O Globo, disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria Flávio em um eventual 2º turno, mas perderia para o pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado.

“Se for Flávio contra Lula, o Lula ganha. Se for o Caiado contra o Lula, o Caiado ganha”, declarou Kassab, escolhido como candidato a vice-presidente na chapa do ex-governador de Goiás.

Segundo o dirigente, Lula teria condições de explorar a rejeição ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Kassab citou um índice de 51% e afirmou que Caiado não enfrenta resistência semelhante entre os eleitores.

Apesar da avaliação, disse que Flávio tem motivos para permanecer na disputa. “Os números na pesquisa dele são bons, por que ele vai deixar?”, questionou. Para Kassab, os desentendimentos entre pessoas próximas à campanha prejudicam o senador.

“A Michelle é esposa do pai do candidato. É possível falar que o candidato não está com problema? Lógico que está”, disse, em referência à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Kassab afirmou que a candidatura presidencial do PSD foi construída desde o início como uma “chapa pura”.

“O PSD foi o único partido que resistiu às abordagens do bolsonarismo e do petismo”, declarou.

O presidente da sigla definiu Caiado como um político de “direita moderada”, com experiência administrativa e capacidade de diálogo. Segundo ele, a campanha deve priorizar propostas e resultados de gestão, em vez de concentrar o discurso em críticas aos adversários.

O PSD não exigirá, porém, que seus candidatos aos governos estaduais apoiem Caiado nem punirá os que estiverem em outros palanques presidenciais. Kassab declarou que as disputas estaduais têm importância semelhante à eleição presidencial e que as redes sociais reduziram a dependência dos candidatos ao Planalto em relação às estruturas locais.

Como exemplo, citou o prefeito do Rio, Eduardo Paes, pré-candidato do PSD ao governo do Estado. Segundo Kassab, o nome de Paes estará associado aos palanques de Caiado, Lula e Flávio por causa das diferentes alianças formadas no Rio de Janeiro.

Na entrevista, o dirigente também criticou a atuação dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante o tarifaço. Disse que o apoio inicial de Eduardo às medidas prejudicou a imagem da família e que Flávio tenta “correr atrás do prejuízo”.

Kassab também defendeu mudanças no modelo de emendas de congressistas. Classificou como “absurdo” o volume de cerca de R$ 60 bilhões reservado no Orçamento e afirmou que Caiado deveria se posicionar contra a manutenção do sistema atual.


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