Venda a Marcos Lamacchia segue possível, mas precisa de aval da 777 ou autorização arbitral
A juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, afastou Pedrinho, Christiano Stockler Campos e Felipe Elias do Conselho de Administração da Sociedade Anônima do Futebol do Vasco na 3ª feira (23.jun.2026). Com a decisão, o ex-jogador segue como presidente do clube associativo, mas perde poder direto sobre a SAF.
Segundo o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a medida foi tomada a pedido da 777 Carioca LLC, representada pelo escritório Dickstein Advogados. A empresa ligada à 777 Partners, antiga controladora da SAF vascaína, afirmou que a administração não atendia a pedidos de informações feitos pelo Conselho Fiscal. O Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou parecer favorável ao pedido.
Na decisão, a juíza afirmou que o Conselho de Administração deixou de responder, por mais de 1 ano, a solicitações de documentos e dados necessários ao trabalho de fiscalização.
Segundo o Conselho Fiscal, a SAF do Vasco tem:
- patrimônio líquido negativo de R$ 647 milhões;
- ausência de diretor financeiro formalmente contratado desde março de 2025;
- gasto de R$ 100 milhões na contratação de atletas no início de 2026;
- resistência ao envio de informações internas ao órgão fiscalizador.
A Justiça nomeou a advogada Samantha Mendes Longo como gestora e interventora judicial da SAF por 60 dias. Ela foi diretora jurídica da Confederação Brasileira de Futebol e terá a função de reorganizar a governança, ampliar a transparência e prestar contas ao juízo a cada 15 dias.
REAÇÃO DE PEDRINHO
Depois da decisão, Pedrinho publicou um texto no Instagram e disse haver uma articulação interna contra a venda da SAF. O presidente do Vasco afirmou que um grupo contrário à negociação atua “há meses” na política do clube e declarou ter visto “acusações infundadas fabricadas para criar narrativas” e movimentações nos bastidores.
Pedrinho também disse que trabalhava pela estabilidade necessária à negociação com Marcos Lamacchia, que, segundo ele, estava perto de ser anunciada. “Não prejudiquem o Vasco e deixem que a venda aconteça”, escreveu.

A decisão impacta a negociação conduzida pelo Vasco com o empresário Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa. O clube trata a venda de 90% dos ativos do futebol como prioridade. Antes da decisão, havia a expectativa de assinatura de um MoU (memorando de entendimento, na sigla em inglês) até a 1ª quinzena de julho.
A negociação, porém, não foi barrada.
A juíza determinou que a suspensão dos direitos políticos e patrimoniais da 777 em decisões anteriores não retirou da empresa a condição de acionista da Vasco SAF. Por isso, qualquer venda precisa de concordância da 777 Carioca LLC ou autorização do Tribunal Arbitral, com posterior validação da Justiça do Rio.
Na prática, o Vasco e Lamacchia ainda podem fechar a operação. Mas terão de incluir a 777 na mesa ou obter autorização arbitral para seguir sem o aval da antiga controladora. A interventora também poderá auxiliar a condução de uma eventual venda, caso seja necessário durante o período de intervenção.
O caso também provocou reações no futebol brasileiro. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou que haveria conflito de interesses por causa da relação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras e mulher de José Roberto Lamacchia. Leila negou ter relação com a negociação e ameaçou acionar Bap na Justiça.
No mesmo dia da decisão, o Vasco anunciou a saída de 4 dirigentes de funções na Diretoria Administrativa: Silvio Roberto Vieira Almeida, vice-presidente de Finanças; Claudio Pereira Gomes, diretor da Secretaria; Felipe Carregal Sztajnbok, vice-presidente Jurídico; e Raphael Travassos de Souza Avellar, vice-presidente de História e Responsabilidade Social.
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