Jovens mudam perfil e redesenham disputa eleitoral

Pesquisas indicam avanço de Flávio entre jovens e dificuldade do PT em manter base histórica no grupo

O comportamento do eleitor jovem começa a indicar uma mudança relevante no cenário político brasileiro. Pesquisas recentes mostram que o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL) tem conquistado cada vez mais o apoio de eleitores jovens. Embora representem 12% do eleitorado em 2026 até agora, os jovens oferecem um sinal antecipado sobre tendências futuras. 

Segundo pesquisa Meio/Ideia realizada de 1º a 5 de maio, 55,2% dos eleitores de 16 a 24 anos dizem que votariam no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em eventual 2º turno contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem a preferência de 30% dos jovens. Outras pesquisas realizadas em abril mostram um padrão semelhante: 

  • CNT/MDA – 45% dos eleitores de 16 a 24 anos dizem que votariam em Flávio, enquanto 40% afirmaram que escolheriam o petista;
  • Datafolha – Lula tem leve vantagem entre os eleitores nessa faixa etária: 48% dizem que votariam no petista ante 44% que votariam no filho do ex-presidente. Porém, no grupo de eleitores de 25 a 34 anos o petista fica 10 pontos atrás de Flávio: 52% votariam no pré-candidato da direita ante 42% que votariam pela reeleição de Lula;
  • Nexus – somam 45% os jovens que escolheriam Lula ante 43% que escolheriam Flávio. 

O dado isolado não define a eleição, mas revela um movimento consistente: a perda de espaço do PT em um segmento que historicamente foi favorável à esquerda. 

No 8º congresso do Partido dos Trabalhadores, realizado em Brasília, o presidente do partido, Edinho Silva, expôs uma preocupação interna com a perda de conexão com a base tradicional do partido. Segundo Edinho, a legenda precisa se reaproximar de grupos que tradicionalmente apoiam o PT, como jovens e periféricos. 

O governo também tem feito acenos a esse eleitorado. Na 2ª feira (4.mai.2026), Lula anunciou o Desenrola 2.0, programa para renegociação e perdão de dívidas. Um dos focos da iniciativa é reduzir a inadimplência do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), que hoje atinge 65,1% dos 2,47 milhões de contratos ativos e soma cerca de R$ 120 bilhões em débitos.

Na direção oposta, Flávio Bolsonaro tem se aproximado cada vez mais deste eleitorado. Com um discurso alinhado com novas tecnologias e treinado para o algoritmo das redes sociais, com falas curtas e diretas, que viralizam nas plataformas digitais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem ganhado essa fatia dos votantes. 

O Fórum da Liberdade, evento de direita realizado na PUC-RS, em Porto Alegre (RS), evidenciou a aproximação de Flávio Bolsonaro com o eleitor jovem. Com 7.000 ingressos esgotados na véspera, o senador discursou para uma plateia majoritariamente jovem. Durante a fala do pré-candidato, houve manifestações de apoio. Depois da participação de Flávio, jovens repetiam trechos do discurso e compartilhavam opiniões defendidas pelo senador em grupos e conversas nos corredores do evento.

O fenômeno tem múltiplas explicações. Inclui mudanças no consumo de informação, maior influência de redes sociais e distanciamento geracional em relação a pautas tradicionais da esquerda. 

Historicamente, esse não era o padrão. O movimento das Diretas Já, realizado de 1983 a 1984 e essencial para a redemocratização do país,, foi capitaneado pelos jovens. Anos depois, em 1992, estudantes conhecidos como “caras-pintadas” lideraram as manifestações pelo impeachment do então presidente Fernando Collor. De lá pra cá, a esquerda manteve predominância sobre parte relevante desse eleitorado. 

Em 2022, por exemplo, as pesquisas da época indicavam uma preferência muito maior desse eleitorado por Lula do que por Jair Bolsonaro. Em pesquisa PoderData, feita de 25 a 27 de setembro, Lula registrava 53% de intenções no 2º turno ante 42% de Jair Bolsonaro. 

Mas esse movimento parece estar mudando.

Pesquisa da AtlasIntel do final de 2025 já mostrava que quanto mais jovem, mais de direita tem se tornado o eleitor no Brasil. 

Segundo levantamentos da Futura Inteligência sobre o perfil do eleitorado brasileiro, por exemplo, os votantes têm adotado atitude mais crítica em relação a propostas tradicionalmente associadas à esquerda, como maior protagonismo do Estado na economia, aumento de impostos para impulsionar a arrecadação e financiar a máquina pública e pautas sensíveis, como aborto e legalização de drogas. 

Se confirmado ao longo do tempo, o movimento pode alterar o equilíbrio político no país. A esquerda enfrenta o desafio de atualizar discurso e linguagem para reconectar-se com novas gerações. A direita, por sua vez, tenta consolidar o avanço recente.

As eleições são decididas no presente. Mas são moldadas por tendências de longo prazo. Ignorar o comportamento do eleitor jovem é abrir mão de compreender o futuro da disputa política no Brasil.


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