Influenciador é alvo do MP-SP após defender tirar voto de pobres

Promotores dizem que Leonardo Marcondes, que tem 1,3 milhão de seguidores no Instagram, promove discurso de ódio

O Ministério Público de São Paulo ingressou com uma ação civil pública na Justiça paulista, na última 5ª feira (25.jun.2026), contra o influenciador digital Leonardo Marcondes por produção de conteúdo considerado pelo órgão como discriminatório contra pessoas pobres.

Em nota divulgada na 2ª feira (29.jun), o MP-SP disse que a ação foi proposta pela Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital paulista. O órgão declarou que o influenciador promoveu discurso de ódio contra pessoas em situação de vulnerabilidade econômica ao defender, em vídeos publicados nas redes sociais, que elas não deveriam ter direito ao voto. A ação também foi proposta contra a empresa Meta.

Conhecido nas redes sociais como Léo Marcondes, o influenciador se classifica como um “treinador financeiro” e tem 1,3 milhão de seguidores no Instagram. Na descrição do seu perfil, Marcondes vende cursos de “diagnóstico financeiro” e divulga um “clube de enriquecimento”. É ex-atleta profissional de vôlei e fundador do NPAC, programa de mentorias e eventos, com base em Balneário Camboriú (SC).

Em post que foi ao ar no Instagram em 26 de dezembro de 2025, o influenciador declarou que “pobres não deveriam votar” e que “pobre quer tirar vantagem” em tudo.

“Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa que não tomou boas decisões pra ter o melhor pra si mesma, ela vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país”, declarou Marcondes no vídeo.

“Qual que é a habilidade que essa pessoa tem ao tomar decisões? Nenhuma. É uma pessoa que não deveria votar. Porque um país ou uma empresa não pode estar nas mãos de uma pessoa que não consegue nem ter responsabilidade sobre as próprias atitudes. Tenta pensar quão que o mundo seria um lugar melhor se os pobres não votassem, se o poder de decisão de um país ficasse nas mãos dos ricos, até que o pobre, ele ficasse rico pra que ele conseguisse ter o poder de tomar decisões também”, disse o influenciador.

Para o promotor Ricardo Manuel Castro, a fala de Marcondes “equipara escassez de recursos materiais e irresponsabilidade constitucional, traduzindo-se em conduta marcada pela aporofobia (discurso ofensivo contra pessoas pobres)”.

O MP-SP disse que o influenciador “constrói e reforça estereótipos ao associar pessoas pobres à incapacidade, à irresponsabilidade e à exclusão da participação democrática”.

Os promotores pedem que a Justiça determine a retirada do ar do perfil do influenciador no Instagram, a condenação ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social, além da proibição de novas publicações com conteúdo considerado discriminatório contra pessoas pobres.

O Poder360 procurou Leonardo Marcondes por meio de mensagem direta enviada no Instagram e por aplicativo de mensagens para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da ação do MP-SP. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Segundo o portal g1, a defesa de Marcondes disse que não foi citada nem teve acesso aos autos, e que só irá se manifestar quando for notificada.


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