Gilmar critica Zema e diz que STF vira “vilão” por contrariar interesses

Ministro afirma que governador de Minas Gerais acionou Corte para suspender dívidas e, após ser contrariado, usa de “chavões vazios” para fazer “ativismo judicial”

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, criticou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), nesta 4ª feira (15.abr.2026), em seu perfil no X, ao afirmar que a Corte passa a ser tratada como “vilã” quando contraria interesses políticos. A

As declarações de Gilmar se dão depois de manifestações de Zema com críticas ao Supremo. Ma 2ª feira (13.abr), que o Brasil vive “a maior crise moral da história” em referência ao Judiciário. Também disse que os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli “merecem prisão”

Gilmar disse ser “irônico” que agentes públicos ataquem o STF após terem recorrido ao tribunal para obter decisões que suspenderam obrigações financeiras com a União. Segundo o ministro, há uma contradição no comportamento de quem utiliza a Corte em momentos de dificuldade fiscal e depois a critica. Para Gilmar Mendes, o histórico de ações do próprio governo mineiro junto ao STF demonstra que a relação com a Corte varia conforme a “conveniência” política e fiscal.

O ministro citou a Nota Técnica SEI nº 1.488/2026 (PDF – 53 kB), do Ministério da Fazenda, que detalha o histórico da dívida de Minas Gerais com a União e decisões judiciais favoráveis ao Estado. O documento mostra que o governo mineiro recorreu ao STF diversas vezes para suspender o pagamento de parcelas da dívida, o que resultou em cerca de 21 meses sem desembolsos e no adiamento de obrigações bilionárias.

A nota também registra que ações judiciais movidas pelo Estado permitiram a suspensão de pagamentos de aproximadamente R$ 34,3 bilhões, posteriormente refinanciados em contratos com prazo de até 360 meses.

Para Gilmar, esses dados demonstram que o STF foi acionado como instrumento para dar fluxo de caixa ao governo estadual. “Basta que a Corte contrarie interesses políticos desse grupo para que o pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de ‘ativismo judicial’”, afirmou.

O ministro acrescentou que há uma “política do utilitarismo”, na qual o tribunal é usado como “escudo fiscal e contábil”, mas passa a ser atacado quando decide “conforme a Constituição — e não conforme a conveniência de ocasião”.

A crítica se dá após decisões recentes do STF envolvendo o governo de Zema. A Corte rejeitou por unanimidade pedido do governador de Minas Gerais para validar aumento da alíquota de contribuição de militares ao IPSM (Instituto de Previdência dos Servidores Militares).

Os ministros seguiram o voto do relator, Alexandre de Moraes, e mantiveram entendimento de que a definição das alíquotas cabe ao Estado, com base na legislação vigente. A decisão confirmou posicionamento anterior do TCE-MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais), que havia considerado irregular a alteração promovida pelo governo.


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