Filho do fundador das Casas Bahia vira réu por crimes sexuais

Defesa do empresário Saul Klein diz que “relação mantida entre as partes era livre e consensual”

O Tribunal de Justiça de São Paulo tornou réu o empresário Saul Klein, filho do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein, por 4 crimes que incluem organização criminosa e exploração sexual de mulheres. O documento da 2ª Vara Criminal de Barueri foi assinado na última 2ª feira (11.mai.2026) e corre sob sigilo. As informações são do g1.

Segundo a decisão, Saul Klein, 72 anos, passou a responder também por favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou vulnerável.

O advogado do empresário, Alberto Zacharias Toron, afirmou em nota que “a decisão judicial, em linha com o entendimento já parcialmente adotado pelo próprio Ministério Público, afastou as imputações de estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à de escravo”.

“Em relação às acusações remanescentes, o magistrado destacou a relevância da tese defensiva de que a relação mantida entre as partes era livre e consensual, no contexto de uma dinâmica conhecida como sugar daddy e sugar baby [encontros voluntários com vantagens econômicas], ressalvando que a matéria deverá ser aprofundada ao longo da instrução processual”, declarou a defesa.

Completou dizendo que “a defesa permanece confiante de que, ao final do processo, todas as acusações serão integralmente rejeitadas”.

Em dezembro de 2020, vítimas de crimes sexuais relataram ao programa “Fantástico”, da TV Globo, detalhes de festas que teriam sido promovidas pelo empresário.

Em maio de 2021, vídeo divulgado pelo UOL mostrou Saul afirmando ter pago R$ 800 mil para silenciar vítimas. Segundo a reportagem, o valor teria sido repassado para cada uma das duas mulheres com quem ele teria firmado um contrato.

Elas frequentavam uma propriedade do filho do fundador da Casas Bahia em Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

Segundo a decisão, os depoimentos colhidos nos autos apontaram a existência de uma “dinâmica reiterada” de recrutamento de mulheres e adolescentes mediante promessas de trabalho. Uma das vítimas relatou que foi recrutada entre 2011 e 2013 e acreditava participar de “eventos de showroom”.

Os relatos sobre as explorações atribuídas a Saul mostram semelhanças com práticas atribuídas a seu pai, Samuel Klein, que morreu em 2014.

As acusações foram reveladas em abril de 2021 pela Agência Pública, que conversou com mais de 35 pessoas, entre advogados, ex-funcionários da Casas Bahia e mulheres que dizem ter sido vítimas dos abusos.

Segundo a reportagem, os indícios reunidos pela Agência Pública mostram que, de 1989 a 2010, Samuel teria sustentado uma rotina de exploração sexual de meninas de 9 a 17 anos.

Os abusos teriam sido cometidos na sede da Casas Bahia, em São Caetano do Sul (SP), e em imóveis localizados na Baixada Santista e em Angra dos Reis (RJ).

Samuel teria organizado um esquema para recrutar e transportar as meninas para os imóveis, onde eram realizadas festas. Em alguns casos, as reuniões contavam com a participação de funcionários da empresa.

Além de dinheiro e produtos, algumas meninas recebiam cestas básicas para ajudar no sustento das famílias.


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