Organização retém valores de torcedores que venderam bilhetes pela plataforma e descumpre prazo estabelecido de 60 dias
A Fifa, organização máxima do futebol mundial, não repassou valores a torcedores que revenderam ingressos da Copa do Mundo de 2026 pelo sistema oficial de revenda, segundo informações do jornal britânico The Athletic. Os atrasos nos repasses chegam a 5 meses em determinados casos.
A situação viola os próprios termos estabelecidos pela Fifa, que opera a plataforma de comercialização. Os compradores dos ingressos pagaram à Fifa, que desconta 15% de cada transação, cobrando a taxa de vendedores e compradores.
O documento “Termos de Transferência e Revenda de Ingressos”, atualizado em 6 de maio de 2026, estabelece: “Após o recebimento do pagamento do comprador da revenda pela plataforma, a Fifa pagará [o revendedor] em até 60 dias corridos a partir da data da compra, ou em prazo menor, se exigido pela legislação aplicável.” Leia a íntegra (PDF – 342 kB).
A página de perguntas frequentes da Fifa reforça: “O pagamento será realizado em até 60 dias corridos a partir da data em que o ingresso for comprado pelo novo comprador, desde que todos os termos tenham sido cumpridos e as informações de pagamento exigidas tenham sido enviadas.”
A Fifa afirmou em nota oficial: “Embora a maioria dos casos seja concluída conforme o esperado, alguns mais complexos exigem análise adicional e, por isso, levam mais tempo para serem processados. Os prazos de pagamento também podem ser afetados quando informações fornecidas pelos clientes, como dados bancários, estão incompletas ou exigem verificação adicional.”
A organização explicou que valores superiores ao montante original da compra não podem ser devolvidos ao cartão de crédito da transação inicial. Citou regras de operadoras de cartões e exigências de combate à fraude e à lavagem de dinheiro como fatores que impedem o reembolso via cartão em determinadas situações.
As justificativas não explicam o motivo de os atrasos persistirem depois de os torcedores fornecerem as informações bancárias solicitadas. Diversos revendedores afirmam ter enviado os dados de suas contas logo depois de a FIFA requisitá-los.
Quando questionada, a organização disse que “opera de acordo com os termos e condições aplicáveis que regulam as transações de revenda de ingressos” e que não tinha “nada a acrescentar além das disposições estabelecidas nesses termos”.
Os termos estabelecem: “O revendedor não tem direito a receber juros ou qualquer outro rendimento sobre valores mantidos pela Fifa Ticketing ou em seu nome antes do pagamento ao revendedor.”
A Fifa tem defendido diversos aspectos de sua abordagem relacionada aos ingressos, incluindo os preços praticados. A organização argumenta que, como entidade sem fins lucrativos, reinveste parcela considerável da receita da Copa do Mundo masculina em iniciativas de desenvolvimento do futebol ao redor do mundo.



