Adolfo Sachsida afirma que atual governo atrasou em 4 anos a exploração da commodity e atribui anúncio à proximidade das eleições
O ex-ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, afirmou nesta 4ª feira (19.ago.2026) que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atrasou em 4 anos a exploração de petróleo na Margem Equatorial. A declaração foi feita em uma publicação no X, depois de a Petrobras confirmar a presença da commodity em um poço na costa do Amapá.
“A Margem Equatorial não foi descoberta agora. O governo Lula perdeu 4 anos atrasando essa exploração —e nesses 4 anos, Norte e Nordeste ficaram sem os investimentos, os empregos, a renda e a arrecadação que poderiam ter tido”, escreveu.
Sachsida disse que, quando comandou o Ministério de Minas e Energia, de maio a dezembro de 2022, defendeu que o Brasil avançasse na exploração da região com o apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o ex-ministro, a Margem Equatorial ocupava uma posição central no plano de governo do ex-presidente como forma de atrair investimentos e desenvolver o Norte e o Nordeste.
O economista também associou o anúncio da descoberta à proximidade das eleições de 2026. Disse que o governo tenta apresentar a pesquisa como uma iniciativa própria, embora os estudos e o processo de licenciamento tenham começado em governos anteriores. Sachsida encerrou a publicação defendendo a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e afirmando que, se eleito, o senador dará continuidade à exploração.
ENTENDA
A Petrobras anunciou em 14 de agosto que identificou hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. No domingo (16.ago.2026), a presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou que o material encontrado era petróleo.
O poço fica a cerca de 175 km da costa do Amapá e a quase 500 km da foz do rio Amazonas, em uma lâmina d’água de 2.886 metros.
A descoberta ainda está na fase exploratória e não significa que a produção comercial seja viável. A companhia precisa concluir a perfuração e avaliar o volume, a qualidade e a viabilidade econômica do reservatório.
A Margem Equatorial é uma faixa marítima que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e reúne as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. Os primeiros levantamentos para procurar hidrocarbonetos na Bacia da Foz do Amazonas foram realizados em 1963.
O bloco FZA-M-59 foi arrematado na 11ª Rodada de Licitações da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), em 2013. O processo de licenciamento ambiental começou em 2014.
Os direitos foram transferidos integralmente para a Petrobras em dezembro de 2020. Depois de uma negativa do Ibama em 2023, a estatal obteve a licença para perfurar o poço em outubro de 2025.



