EUA vão à Suíça negociar com Irã acordo de paz

Guarda Revolucionária iraniana anunciou fechamento de estreito de Ormuz, mas EUA apontaram alta no tráfego de navios na região

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, será um dos representantes do governo de Donald Trump nas negociações de um acordo de paz com o Irã marcadas para este domingo (21.jun.2026), na Suíça. O encontro, que terá a mediação de diplomatas do Paquistão e do Catar, é feito durante uma nova escalada militar no Oriente Médio e a uma guerra de narrativas sobre o controle das rotas comerciais globais. 

As conversas diplomáticas deste domingo na Suíça têm o objetivo de salvar o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã. Inicialmente, a reunião havia sido marcada para 6ª feira (19.jun), mas foi adiada.

 A IRGC (Guarda Revolucionária do Irã) anunciou neste sábado (20.jun.2026) o fechamento do Estreito de Ormuz para todas as embarcações. A medida é uma resposta às violações norte-americanas aos compromissos de cessar-fogo e aos contínuos ataques de Israel contra o Líbano.

A informação, porém, foi refutada pelo governo norte-americano. Em entrevista à rede Fox News, J.D. Vance negou a existência do bloqueio e afirmou não haver evidências de que o Irã tenha interrompido a passagem marítima, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.

As Forças Armadas dos EUA reforçaram a declaração do vice-presidente. Em nota, os militares afirmaram que o tráfego no estreito não só operou normalmente, como aumentou. Segundo os norte-americanos, 55 navios transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo cruzaram o trecho de forma segura neste sábado.

NEGOCIAÇÕES E EXIGÊNCIAS 

A expectativa da equipe iraniana sobre o encontro é baixa. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Bagahei, declarou que o objetivo da viagem é exclusivamente exigir que os EUA cumpram suas obrigações, o que inclui a suspensão das operações militares no Líbano e o respeito à soberania do país.

De acordo com o diplomata iraniano, as negociações definitivas, que envolvem também o programa nuclear do Irã, só irão avançar se a trégua for respeitada na região. Do contrário, ele alertou que todo o memorando de entendimento “estará em risco”.

ESCALADA NO LÍBANO 

O impasse diplomático é agravado pela continuidade das hostilidades, que ameaçam de forma direta o cessar-fogo provisório. Neste sábado, bombardeios israelenses mataram ao menos 16 pessoas, incluindo duas crianças, no sul do Líbano.

A Agência Nacional de Notícias libanesa relatou que 7 pessoas ficaram presas sob escombros em Nabatiyeh. Ofensivas também atingiram vilarejos como Barish, Arab Salim, Doueir, Kfar Rumman, Qannarit, Sohmor e Shehour.

O exército israelense justificou os ataques afirmando ser uma resposta ao disparo de mais de 50 projéteis contra suas tropas durante a madrugada. O grupo militante Hezbollah, financiado pelo Irã, não assumiu a autoria dos disparos.

Na 6ª feira (19.jun.2026), os confrontos diretos já haviam deixado 47 mortos no Líbano e 4 soldados israelenses mortos. Segundo o Ministério da Saúde libanês, o total de vítimas fatais na guerra recente já ultrapassa 4.000.

IMPASSE SOBRE CESSAR-FOGO 

O embaixador de Israel em Washington, Yechiel Leiter, afirmou que o país está comprometido com uma trégua imediata, desde que o Hezbollah cesse as hostilidades.

Por outro lado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou na 6ª feira que o exército de Israel atingiu 150 alvos do grupo e que as tropas continuarão operando na chamada “zona de defesa avançada” no sul do Líbano até que a ameaça seja eliminada.

O Hezbollah declarou publicamente que respeitará o cessar-fogo caso Israel faça o mesmo. O grupo extremista, porém, condiciona o fim definitivo de seus ataques à retirada total das forças israelenses do território libanês, uma exigência chancelada pelo governo iraniano.


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