Os Estados Unidos suspenderam temporariamente a venda de armamentos de US$ 14 bilhões (R$ 78,5 bilhões) para Taiwan. A informação foi confirmada na 5ª feira (22.mai.2026) pelo secretário interino da Marinha norte-americana, Hung Cao, durante audiência no Senado. Segundo ele, a medida busca garantir estoques suficientes de munições para a operação militar conjunta dos EUA com Israel no Irã, chamada Epic Fury.
Hung Cao afirmou que a suspensão é temporária e que as vendas militares para Taiwan poderão ser retomadas futuramente. “Estamos fazendo uma pausa para garantir que temos as munições necessárias para a Epic Fury”, declarou. O secretário disse ainda que não havia conversado com autoridades taiwanesas sobre a decisão.
O pacote militar aguarda aprovação do presidente Donald Trump (Partido Republicano) há meses. Segundo informações divulgadas anteriormente pela Reuters, a venda inclui sistemas de defesa aérea PAC-3, produzidos pela Lockheed Martin, além de mísseis superfície-ar.
A suspensão é realizada poucos dias depois de Trump se reunir em Pequim com o presidente chinês Xi Jinping. Durante o encontro, os 2 líderes discutiram a questão de Taiwan. Trump classificou a venda de armas como uma “ficha de negociação” nas conversas com a China. Xi Jinping chegou a dizer que desentendimentos sobre a ilha poderiam levar a um conflito.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse na 5ª feira (14.mai.2026) que a política norte-americana sobre Taiwan não sofreu mudanças.
TAIWAN
Depois da reunião entre os 2 líderes, Taiwan tem buscado reafirmar a compra de armas.
O governo de Taiwan afirmou que o fornecimento de armas por parte dos Estados Unidos é fundamentado na legislação norte-americana. A declaração foi feita no sábado (16.mai.2026) depois de o presidente Donald Trump (Partido Republicano) ter dito à imprensa na 6ª feira (15.mai.2026) que não decidiu sobre futuras vendas de armamentos à ilha.
A porta-voz do Executivo de Taiwan, Karen Kuo, emitiu um comunicado reiterando a posição do governo sobre o fornecimento de armas. Kuo declarou que a crescente ameaça militar da China representa o “único fator desestabilizador” na região do Indo-Pacífico, incluindo o Estreito de Taiwan.
“Além disso, as vendas militares entre Taiwan e os EUA não são apenas um reflexo do compromisso de segurança dos EUA com Taiwan, conforme estipulado na Lei de Relações com Taiwan, mas também servem como uma dissuasão mútua contra ameaças regionais”, afirmou a porta-voz.
CONTEXTO
China e Taiwan são governados separadamente desde 1949, quando o Partido Comunista chegou ao poder em Pequim após uma guerra civil. As forças derrotadas do Partido Nacionalista fugiram para Taiwan.
Os EUA, como todos os países que mantêm relações formais com a China, não reconhecem Taiwan como um país. Washington, porém, tem sido o principal apoiador e fornecedor de armas da ilha. O país é obrigado por suas próprias leis a fornecer a Taiwan meios para se defender. Considera qualquer ameaça à ilha um assunto de extrema preocupação.
A China reivindica Taiwan como província separatista. Ameaça retomar a ilha pela força, se necessário.



