EUA adotam restrições após avanço do ebola

Os Estados Unidos anunciaram controles sanitários em aeroportos e restrições temporárias de entrada para reduzir o risco de chegada do ebola ao país. A medida foi divulgada na 2ª feira (18.mai.2026), depois de a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarar o surto na República Democrática do Congo e em Uganda uma emergência de saúde pública de interesse internacional.

A ordem do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) entrou em vigor na 2ª feira (18.mai.2026) e valerá por 30 dias. O órgão afirma que a decisão busca impedir a entrada nos EUA de estrangeiros que tenham estado, nos últimos 21 dias, no Congo, em Uganda ou no Sudão do Sul. A restrição vale independentemente do país de origem do viajante.

O documento informa que a restrição não se aplica a cidadãos norte-americanos, nacionais dos EUA e residentes permanentes legais. Também há exceções para militares, integrantes do governo em serviço no exterior, familiares desses grupos e casos autorizados pelo DHS (Departamento de Segurança Interna) depois de análise das circunstâncias. Leia a íntegra, em inglês (PDF – 359 kB).

Segundo o CDC, o risco imediato para a população norte-americana é baixo. Ainda assim, o órgão afirma que as medidas foram adotadas por causa do período de incubação do vírus, que pode chegar a 21 dias. Nesse intervalo, uma pessoa infectada pode viajar sem apresentar sintomas.

Eis as medidas com efeito imediato:

  • reforço da triagem sanitária e do monitoramento de viajantes vindos de áreas afetadas;
  • restrição de entrada para estrangeiros que tenham estado no Congo, em Uganda ou no Sudão do Sul nos 21 dias anteriores;
  • coordenação com companhias aéreas, autoridades internacionais e postos de entrada;
  • ampliação das ações de rastreamento de contatos, testes laboratoriais e preparação de hospitais;
  • envio de equipes do CDC para apoiar o controle do surto nos países afetados.

O surto é causado pela cepa Bundibugyo do ebola. A Reuters informou que havia 393 casos suspeitos e 105 mortes suspeitas no leste do Congo, além de 8 casos confirmados em laboratório. O surto concentra-se na província de Ituri, mas também houve confirmação de caso em Goma, na província de Kivu do Norte.

A OMS declarou emergência internacional depois da confirmação de casos em Uganda. A entidade afirmou que o surto não atende aos critérios de pandemia, mas disse haver alto risco de transmissão entre países.

O CDC afirma que a variante Bundibugyo não tem vacina amplamente aprovada nem tratamento antiviral específico. O atendimento é feito com medidas de suporte, como hidratação, reposição de eletrólitos, oxigênio, controle de dor e febre e tratamento de infecções secundárias.

A agência também informou que uma pessoa dos EUA testou positivo para ebola enquanto trabalhava em um hospital no Congo. O paciente e outras 6 pessoas expostas ao vírus seriam levados à Alemanha para atendimento.

CEPA BUNDIBUGYO

A cepa Bundibugyo foi identificada pela 1ª vez em 2007, no distrito de Bundibugyo, no oeste de Uganda. Naquele surto, foram registrados 131 casos e 42 mortes — taxa de letalidade de 32%, segundo a OMS.

A identificação da cepa preocupa autoridades sanitárias porque a maioria dos surtos anteriores no Congo foi causada pela cepa Zaire. O virologista congolês Jean-Jacques Muyembe, um dos descobridores do ebola, disse à Reuters que uma variante diferente pode dificultar a resposta, já que vacinas e tratamentos existentes foram desenvolvidos principalmente contra a cepa Zaire.


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