Entenda o golpe milionário sofrido por Danilo Gentili e Diogo Portugal nos Estados Unidos

Humoristas investiram na criação de uma casa de comédia em Orlando, mas afirmaram que recursos foram desviados antes da conclusão do projeto

Um casal terá de pagar R$ 4,3 milhões por uma fraude envolvendo um empreendimento de Danilo Gentili e Diogo Portugal. A cobrança corre na Justiça Federal de São Paulo, após a condenação nos Estados Unidos ser reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça. O Portal LeoDias explica, em detalhes, tudo o que aconteceu no caso.

O caso começou há cerca de dez anos, quando Danilo Gentili e Diogo Portugal decidiram investir na criação de uma casa de comédia em Orlando, na Flórida, nos Estados Unidos. A ideia era transformar o espaço no “The Comedy Club Corp.”, empreendimento voltado a apresentações de humoristas brasileiros.

Veja as fotos

(Danilo Gentili – Créditos: SBT)

(Danilo Gentili – Crédito: SBT)(Danilo Gentili – Créditos: SBT)

Divulgação

Diogo Portugal é um dos precursores do stand-up comedy no BrasilDivulgação

Danilo Gentili

Foto: Clayton Felizardo/Brazil News

Diogo Portugal durante jantar solidário do G10 FavelasFoto: Clayton Felizardo/Brazil News

Divulgação/Lourival Ribeiro/SBT

Danilo Gentili comemora fase profissionalDivulgação/Lourival Ribeiro/SBT


O projeto começou a ser planejado anos antes. Segundo informações publicadas na época, Gentili teve a ideia em 2009, após uma viagem a Orlando. Em 2015, as obras já haviam começado e a previsão era de que o clube fosse inaugurado no segundo semestre daquele ano. O espaço seria inspirado em grandes casas de comédia e ficaria na International Drive, uma das principais avenidas turísticas da cidade.

Para colocar o negócio de pé, Gentili e Portugal contaram com Robson Leiva Santos e Talita Bueno Fonzar Leiva, que viviam em Orlando e participariam da administração e implantação do empreendimento. Gentili investiu US$ 344,7 mil, enquanto Portugal colocou US$ 176 mil. Juntos, os dois aplicaram mais de US$ 520 mil no projeto.

A situação começou a chamar a atenção dos humoristas quando o dinheiro investido avançou, mas a obra não evoluiu como esperado. Gentili e Portugal viajaram para Orlando para verificar pessoalmente o andamento do projeto. Segundo o relato apresentado à Justiça, eles descobriram que parte dos valores destinados à casa de comédia teria sido desviada. Os humoristas também afirmaram que obras realizadas em outro imóvel teriam sido apresentadas a eles como se fossem intervenções feitas no espaço do clube.

A partir daí, Gentili e Portugal entraram na Justiça americana contra o casal.

De acordo com a decisão, os executados foram condenados solidariamente ao pagamento de US$ 420.048,28 em favor de Danilo Gentili e US$ 215.291,78 em favor de Diogo Portugal. O título também estabeleceu a incidência de juros após a sentença, inicialmente de 6,03% ao ano até 31 de dezembro de 2020, com ajuste anual a partir de 1º de janeiro de 2021, conforme o Estatuto da Flórida.

O que aconteceu depois?

A condenação obtida nos Estados Unidos precisava ser reconhecida pela Justiça brasileira para que pudesse ser cobrada no país. É aí que aparece uma expressão importante do processo atual: homologação de sentença estrangeira.

Em termos simples, homologar uma sentença estrangeira significa que a Justiça brasileira reconhece uma decisão tomada por outro país e permite que ela produza efeitos no Brasil. No caso de Gentili e Portugal, o Superior Tribunal de Justiça homologou integralmente a decisão estrangeira em 24 de novembro de 2025. O processo se tornou definitivo em 9 de março de 2026.

Com essa etapa concluída, os humoristas puderam iniciar o cumprimento de sentença no Brasil, ou seja, a fase em que o vencedor de um processo busca efetivamente receber aquilo que a Justiça determinou que lhe seja pago.

Na ação que tramita na 14ª Vara Cível Federal de São Paulo, Gentili e Portugal apresentaram os valores definidos pela sentença americana. São US$ 420.048,28 destinados a Danilo Gentili Júnior e US$ 215.291,78 destinados a Diogo Portugal, além dos juros estabelecidos na decisão.

Os valores foram convertidos e atualizados para a cobrança no Brasil, chegando a aproximadamente R$ 4,3 milhões.

Por que o casal ainda não teve os bens bloqueados?

Na ação brasileira, os advogados de Gentili e Portugal pediram um arresto executivo. Na prática, o arresto é uma medida usada para tentar preservar bens do devedor quando existe risco de que eles desapareçam ou sejam transferidos antes do pagamento da dívida.

O pedido incluía mecanismos como o SISBAJUD, utilizado para bloqueio de valores em instituições financeiras, e o RENAJUD, que permite restrições relacionadas a veículos. A Justiça, porém, negou essa medida de urgência neste momento.

O juiz entendeu que os documentos apresentados não eram suficientes para demonstrar, naquele momento, o risco de que o pagamento fosse frustrado. Também analisou a alegação de que um imóvel havia sido vendido pelo casal em agosto de 2024 e concluiu que não estavam presentes os elementos necessários para reconhecer fraude à execução naquela negociação. Isso, porém, não anulou a condenação nem encerrou a cobrança.

A Justiça Federal determinou que os executados sejam citados para pagar a quantia devida, devidamente atualizada, em até 15 dias. Caso não façam o pagamento voluntariamente, haverá multa de 10% e acréscimo de 10% de honorários advocatícios sobre o valor da condenação.

Depois desse prazo, caso a dívida continue sem pagamento, começa outro período de 15 dias para que os executados apresentem eventual impugnação, que é o instrumento usado pelo devedor para contestar aspectos da cobrança durante a fase de execução.

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